Previa: O advogado da família Matsunaga critica a adaptação do filme “Elize: Sombra de Uma Mulher”, apontando erros graves na representação do crime que chocou o Brasil em 2012. Segundo ele, detalhes cruciais foram omitidos ou alterados, distorcendo a realidade dos eventos.
O filme “Elize: Sombra de Uma Mulher”, disponível na Netflix, tem gerado polêmica desde seu lançamento. Luiz Flávio Borges D’Urso, advogado da família Matsunaga, revelou em entrevista que a produção não reflete com precisão os fatos que levaram à condenação de Elize Matsunaga pelo assassinato de seu marido, Marcos Matsunaga, em 2012. Segundo ele, a obra cinematográfica omite e altera aspectos fundamentais do crime.
O advogado elogiou a qualidade da produção, mas foi enfático ao afirmar que o filme comete “erros graves”. Ele destacou que, se a narrativa tivesse sido baseada nas provas apresentadas durante o julgamento, a história contada seria bem diferente. “O filme vale como uma obra de ficção, mas, no que diz respeito ao crime em si, comete erros gravíssimos”, afirmou D’Urso.
Marcos Matsunaga foi pego de surpresa por Elize
De acordo com o advogado, a dinâmica do crime retratada no filme diverge significativamente das conclusões periciais. Enquanto a produção mostra Elize e Marcos em pé no momento do disparo, a reconstituição oficial indica que Marcos estava agachado, o que sugere uma posição de vulnerabilidade. “Se não houvesse elemento de surpresa, ele teria reagido”, explica D’Urso.
Além disso, o advogado ressaltou que a pistola utilizada no crime foi um presente do próprio Marcos a Elize, o que adiciona uma camada de complexidade à narrativa. Ele também mencionou que a arma não estava guardada como as demais, que eram mantidas em um cofre, mas sim acessível no apartamento.
Arma que matou Marcos Matsunaga não está no filme
Outro ponto crucial que D’Urso destacou foi a causa da morte de Marcos Matsunaga. A autópsia revelou que ele ainda estava vivo após o disparo, e a morte se deu por asfixia durante o processo de decapitação. O advogado argumenta que o filme não aborda essa informação, o que altera a percepção do crime.
Ele também mencionou que Elize utilizou uma faca para desmembrar o corpo, mas acredita que uma serra elétrica, comprada antes do crime, foi a verdadeira ferramenta utilizada. Essa serra, segundo D’Urso, nunca foi encontrada pela polícia, mas sua existência ajudaria a explicar a rapidez e a precisão do esquartejamento.
“O crime foi todo premeditado. Ela viajou para o Paraná para dar liberdade para que os detetives investigassem Marcos e a amante. Tudo foi muito bem pensado”, conclui o advogado, enfatizando a premeditação por trás dos atos de Elize.
Família de Marcos nunca recorreu da sentença
Elize Matsunaga foi condenada em 2016 a quase 20 anos de prisão, pena que foi reduzida posteriormente. D’Urso informou que a família de Marcos nunca recorreu da sentença, pois considerou que a Justiça foi feita. “A família queria justiça e a Justiça se manifestou dessa forma”, afirmou.
Com a produção de filmes e documentários sobre o caso, a memória do crime permanece viva, e a história de Elize Matsunaga continua a gerar debates sobre justiça, violência e a complexidade das relações humanas.











