Previa: O mercado internacional de açúcar apresenta uma recuperação significativa, impulsionada por dados da safra brasileira e revisões nas projeções globais de oferta. Essa tendência sugere um cenário mais ajustado para a commodity nos próximos meses.
Na terça-feira (23), o mercado internacional do açúcar registrou uma valorização, interrompendo uma sequência de perdas. Esse movimento foi sustentado por novos dados sobre a safra brasileira e revisões nas projeções globais de oferta, que indicam um balanço mais ajustado da commodity para os próximos meses.
Mercado internacional: Nova York e Londres em alta
Na Bolsa de Nova York, os contratos de açúcar bruto mostraram recuperação ao longo do pregão. Os preços dos contratos para julho de 2026 subiram 0,07 centavos, fechando a 13,42 cents/lbp, enquanto outubro e março de 2027 também apresentaram altas, refletindo o reposicionamento dos investidores diante de novos fundamentos de oferta.
Na Intercontinental Exchange, o açúcar branco seguiu a tendência de alta, com aumentos nos preços dos contratos de agosto, outubro e dezembro de 2026. Esse avanço é um reflexo do ajuste global nas expectativas sobre a disponibilidade do produto no médio prazo.
Mercado interno: valorização do açúcar cristal em São Paulo
No Brasil, o açúcar cristal branco teve uma valorização significativa, com a saca de 50 kg sendo negociada a R$ 94,07, uma alta de 2,70% em um único dia. O indicador acumulou uma valorização de 1,15% em junho, sinalizando uma recuperação do mercado físico após perdas nas semanas anteriores.
O etanol hidratado também manteve um viés positivo no mercado paulista, com o preço do combustível alcançando R$ 2.360,00 por metro cúbico, um avanço de 0,11% em relação ao dia anterior. No acumulado de junho, o biocombustível registra uma alta de 0,36%.
Fundamentos: safra brasileira e revisões globais
A sustentação dos preços no mercado internacional está diretamente ligada aos dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), que indicam uma produção de 6,84 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul até o fim de maio, representando uma queda de 2% em relação ao mesmo período da safra anterior.
Além disso, houve uma mudança no mix de produção das usinas brasileiras, com a participação do açúcar caindo para 41,42% e o etanol aumentando para 58,58%. Essa alteração reduz a disponibilidade de açúcar no mercado, reforçando o suporte às cotações.
No cenário internacional, a consultoria Czarnikow revisou suas projeções para a safra 2026/27, passando de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, o que reforça a percepção de um equilíbrio mais apertado entre oferta e demanda.
Perspectivas: fatores a serem monitorados
Apesar da recente recuperação, o mercado continua atento a fatores que podem influenciar os preços nas próximas semanas. A evolução da moagem no Centro-Sul do Brasil, o comportamento do petróleo e o ritmo da produção global nas principais origens são elementos que devem ser monitorados.
A combinação desses fatores pode manter a volatilidade elevada no curto prazo, com os investidores reagindo a cada nova atualização sobre a oferta e demanda no setor sucroenergético global.











