Previa: O mercado internacional de açúcar enfrenta uma nova onda de quedas, refletindo um aumento na oferta global e a pressão de preços no Brasil. A combinação de fatores como a moagem da cana-de-açúcar e a desvalorização do petróleo impacta diretamente a cadeia produtiva.
Na última terça-feira (28), o mercado de açúcar registrou perdas significativas, com os preços internacionais em queda. Esse movimento é impulsionado por uma expectativa de maior oferta global, além da pressão exercida pela diminuição dos preços do petróleo e o avanço da moagem da cana-de-açúcar no Brasil.
Nas bolsas internacionais, o açúcar bruto negociado em Nova York encerrou o pregão em baixa. O contrato de outubro/26 caiu para 14,55 cents de dólar por libra-peso, enquanto os contratos de março e maio de 2027 também apresentaram desvalorizações. A expectativa de aumento na disponibilidade da commodity no mercado internacional tem influenciado essas quedas.
Desvalorização do açúcar branco em Londres
O açúcar branco também seguiu a tendência negativa em Londres, onde o contrato de outubro/26 recuou US$ 1,60, fechando a US$ 456,80 por tonelada. Outros contratos, como o de março/27, também registraram quedas, refletindo um cenário de pressão sobre os preços.
No Brasil, o mercado físico acompanhou essa tendência. O açúcar cristal branco, por exemplo, teve uma retração, com o preço registrado em R$ 92,39 por saca de 50 quilos, uma queda de 0,39% em relação ao dia anterior. Apesar disso, o indicador ainda acumula uma valorização de 1,23% em julho, evidenciando a volatilidade do mercado interno.
Impacto no mercado de etanol
O mercado de biocombustíveis também não ficou imune às quedas. O etanol hidratado teve uma retração de 0,76%, sendo negociado a R$ 2.161,00 por metro cúbico. No acumulado de julho, a queda chega a 8,65%, influenciada pelo aumento da moagem da cana-de-açúcar e pela maior disponibilidade de produto no mercado.
A desvalorização do petróleo é um fator crucial nesse cenário, pois diminui a competitividade do etanol em relação aos combustíveis fósseis, levando a uma expectativa de menor demanda pelo biocombustível e, consequentemente, um maior direcionamento da cana para a produção de açúcar.
Perspectivas para o mercado
Com o avanço da safra no Centro-Sul do Brasil, o mercado permanece atento ao equilíbrio entre produção, demanda e exportações. A maior oferta de açúcar e etanol tende a aumentar a pressão sobre os preços, enquanto fatores externos, como câmbio e clima, continuam a ser determinantes para a formação das cotações.
Produtores e usinas estão monitorando as oportunidades de comercialização, buscando equilibrar a produção entre açúcar e biocombustível. Essa estratégia é essencial para preservar margens em um ambiente marcado pela alta volatilidade dos preços.











