Previa: O mercado internacional de açúcar encerrou a semana em queda, influenciado por fatores como a desvalorização do petróleo e a valorização do real. As cotações da commodity foram pressionadas, refletindo um cenário de incertezas na oferta global.
O mercado de açúcar no cenário internacional apresentou uma semana negativa, com as bolsas de Nova York e Londres registrando quedas significativas. A combinação de uma série de fatores, como a desvalorização do petróleo e a valorização do real frente ao dólar, impactou diretamente as cotações da commodity.
Na ICE Futures US, os contratos futuros do açúcar bruto fecharam em baixa. O contrato com vencimento em outubro de 2026 caiu para 14,88 cents de dólar por libra-peso, enquanto outras posições também apresentaram desvalorização. Em Londres, o açúcar branco seguiu a mesma tendência, com o contrato de agosto de 2026 encerrando a US$ 467,10 por tonelada.
Mercado físico e fatores de pressão
No Brasil, o mercado físico também sentiu os efeitos da queda. O indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco em São Paulo registrou uma retração, com a saca de 50 quilos sendo negociada a R$ 91,21. Esse movimento é atribuído ao aumento da oferta disponível e à cautela dos compradores diante das perspectivas internacionais.
Além disso, a queda nos preços do petróleo e a valorização do real ampliaram a pressão sobre o setor sucroenergético. A diminuição dos preços do petróleo torna os biocombustíveis, como o etanol, menos competitivos, o que pode levar a um aumento na produção de açúcar e, consequentemente, na oferta global.
A melhora nas condições climáticas na Índia também contribuiu para a queda das cotações. A redução do déficit de chuvas durante a temporada de monções diminuiu as preocupações com a produção do país, que é o segundo maior produtor mundial de açúcar. Essa expectativa de maior disponibilidade da commodity no mercado global impactou negativamente os preços.
Desafios e perspectivas futuras
Os contratos futuros enfrentam resistência para subir, com níveis técnicos importantes a serem superados. O vencimento de outubro de 2026 encontra resistência próxima de 15 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o contrato de março de 2027 apresenta resistência em torno de 16 centavos. Essa situação reflete a estratégia de gestão de risco adotada por produtores que buscam proteger suas margens.
Embora a recente desvalorização tenha gerado preocupações, alguns analistas acreditam que o mercado pode estar se aproximando de um piso. A recuperação das cotações dependerá de fatores como a evolução das safras na Índia e na Tailândia, as condições climáticas na safra brasileira e o comportamento dos preços do petróleo e do câmbio.
Enquanto isso, o mercado continua atento aos fundamentos globais e às condições das principais regiões produtoras, que serão cruciais para definir a direção dos preços do açúcar no segundo semestre. A gestão de risco se torna cada vez mais importante, com usinas buscando garantir margens satisfatórias em um ambiente de alta volatilidade.











