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Açúcar atinge maior preço em 19 meses no mercado internacional devido a El Niño e clima adverso

O mercado internacional de açúcar vive um momento de alta acentuada, com os preços alcançando o maior nível em 19 meses. Em outubro de 2026, as cotações subiram em meio...

Açúcar atinge maior preço em 19 meses no mercado internacional devido a El Niño e clima adverso

O mercado internacional de açúcar vive um momento de alta acentuada, com os preços alcançando o maior nível em 19 meses. Em outubro de 2026, as cotações subiram em meio a preocupações com a oferta global, impulsionadas por condições climáticas adversas nas principais regiões produtoras. A combinação de chuvas excessivas no Brasil, estiagem na Índia e perdas na produção europeia intensificou a percepção de risco entre os investidores, resultando em um aumento significativo nos preços.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), os contratos de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 fecharam a 19,47 centavos de dólar por libra-peso em 29 de outubro, um aumento de 4,6% em relação ao fechamento de setembro, que foi de 18,61 centavos. Durante o mês, os preços chegaram a atingir uma máxima intradiária de 21,29 centavos por libra-peso no dia 12, o que reflete a crescente incerteza sobre a disponibilidade de açúcar no mercado internacional para a safra 2026/27.

Impactos Climáticos na Produção Global

As condições climáticas adversas têm sido um fator crucial para a valorização do açúcar. No Brasil, o excesso de chuvas, exacerbado pelo fenômeno El Niño, prejudicou a colheita e a moagem da cana-de-açúcar nos meses de setembro e outubro. Essa umidade excessiva não apenas dificultou as operações no campo, mas também reduziu o teor de sacarose da cana, comprometendo o rendimento das usinas.

Na Europa, a situação não é diferente. A seca intensa durante o verão afetou o desenvolvimento das lavouras de beterraba açucareira, gerando preocupações sobre a produção na região. A Índia, que ocupa a posição de segundo maior produtor mundial de açúcar, também enfrenta desafios devido à estiagem, que impactou negativamente as perspectivas agrícolas para a safra 2026/27.

Déficit Global e Queda na Produção Brasileira

As estimativas para o equilíbrio entre oferta e demanda se tornaram mais pessimistas. A consultoria Green Pool Commodities prevê um déficit global de açúcar na safra 2026/27 de até 6,28 milhões de toneladas, um aumento de aproximadamente 3 milhões de toneladas em relação a projeções anteriores. Essa revisão é atribuída à deterioração das condições de produção em regiões-chave como Brasil, Índia e União Europeia.

No Brasil, os dados mais recentes indicam uma queda significativa na produção de açúcar. Na primeira quinzena de outubro, as usinas do Centro-Sul processaram 27,31 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, uma redução de 29,3% em relação ao volume da segunda metade de setembro. A produção de açúcar caiu 34,6%, totalizando 1,87 milhão de toneladas, em comparação com 2,861 milhões de toneladas na quinzena anterior.

Perspectivas para o Setor Sucroenergético

A desaceleração da moagem no Centro-Sul é um fator de preocupação adicional, especialmente em um momento em que a disponibilidade global de açúcar é crítica. Segundo Maurício Muruci, analista da Consultoria Safras & Mercado, a recuperação da moagem observada anteriormente não se manteve, limitando a reposição dos estoques de açúcar e etanol.

As perspectivas para o mercado de açúcar em 2026/27 estão, portanto, atreladas a três fatores principais: as condições climáticas, o desempenho da produção brasileira e a disponibilidade do produto nos principais países exportadores. A possibilidade de um déficit global de açúcar de 6,28 milhões de toneladas aumenta a atenção dos investidores e compradores internacionais, que devem monitorar de perto as oscilações de preços nos próximos meses.

Diante desse cenário, o setor sucroenergético brasileiro precisa estar atento ao planejamento industrial, às condições de campo e às decisões comerciais, já que o mercado global se torna cada vez mais sensível às variações de oferta e às mudanças climáticas. A evolução das chuvas e a recuperação da moagem nas próximas semanas serão determinantes para o volume final de açúcar produzido e para a dinâmica de preços no mercado internacional.

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