Previa: Os preços do açúcar estão em alta no Brasil e no exterior, impulsionados pela oferta restrita e previsões de déficit global na próxima safra. As usinas adotam uma postura firme, enquanto compradores se mostram cautelosos diante da valorização rápida.
Os preços do açúcar têm apresentado um aumento significativo tanto no mercado brasileiro quanto nas bolsas internacionais. Essa valorização é impulsionada pela redução da oferta no Centro-Sul do Brasil e pelas expectativas de um déficit global para a safra 2026/27. As usinas estão ajustando seus preços, refletindo a menor disponibilidade do produto.
No mercado físico de São Paulo, o açúcar cristal branco está se aproximando da marca de R$ 100 por saca de 50 quilos. O Indicador CEPEA/ESALQ registrou um fechamento a R$ 99,94 na segunda-feira (17), representando um avanço de 2,08% em um único dia e uma valorização acumulada de 9,22% em agosto. Esse aumento é atribuído à percepção de que a oferta de açúcar está diminuindo no Centro-Sul, levando as usinas a negociar com mais firmeza.
Mercado Internacional e Expectativas Climáticas
As preocupações com as condições climáticas em países produtores estão sustentando os contratos futuros do açúcar bruto em Nova York e do açúcar branco em Londres. Na ICE Futures US, os contratos do açúcar bruto encerraram a sessão em alta, com o vencimento de outubro de 2026 subindo 1,6%, enquanto os contratos em Londres também mostraram valorização significativa.
As revisões nas projeções de produção global têm gerado um clima de incerteza. Consultorias como a Covrig Analytics e a Green Pool Commodity Specialists ajustaram suas estimativas de superávit para déficits significativos, refletindo a possibilidade de uma oferta global mais apertada. Essa situação é agravada pela previsão de El Niño, que pode impactar negativamente as lavouras de cana-de-açúcar e beterraba.
A perspectiva de um déficit global tende a manter os preços do açúcar elevados. Para o Brasil, que é o maior exportador mundial da commodity, essa valorização pode aumentar a atratividade das vendas internacionais. No entanto, a resistência dos compradores no mercado interno pode limitar a liquidez e moderar a velocidade dos reajustes.
Enquanto isso, o etanol hidratado apresentou uma leve queda no mercado paulista, fechando a segunda-feira a R$ 2.352,00 por metro cúbico, embora ainda acumule uma alta superior a 10% no mês. Essa situação pode intensificar a competição pela matéria-prima entre a produção de açúcar e etanol, impactando as decisões das usinas.
Os próximos dias serão cruciais para monitorar as condições climáticas, as revisões nas projeções de produção e o comportamento dos fundos nas bolsas internacionais, que podem influenciar ainda mais o mercado de açúcar e etanol.











