Previa: O aumento das preocupações climáticas e a possibilidade de um El Niño mais forte estão impulsionando os preços do açúcar nas bolsas internacionais. O cenário de oferta global mais apertada também contribui para a valorização da commodity no Brasil.
O mercado de açúcar registrou uma nova alta nas principais bolsas internacionais, refletindo as crescentes preocupações com as condições climáticas nas regiões produtoras. O fenômeno El Niño, que está se fortalecendo, pode impactar negativamente as próximas safras, gerando incertezas sobre a oferta global.
Em Nova York, os contratos futuros do açúcar bruto tiveram um desempenho positivo, com o contrato de outubro de 2026 fechando a 16,82 centavos de dólar por libra-peso, uma alta de 2,4%. Outros contratos também apresentaram valorização, mantendo os preços próximos aos maiores níveis dos últimos 12 meses.
Impactos do El Niño na produção mundial
As preocupações climáticas são um dos principais fatores que sustentam os preços atuais. O fortalecimento do El Niño pode resultar em chuvas excessivas no Brasil, o maior produtor mundial, dificultando a colheita e afetando a qualidade da cana-de-açúcar. Em contrapartida, na Índia e na Tailândia, o fenômeno pode levar à redução das chuvas, aumentando os riscos para a produção.
Essas incertezas climáticas adicionam uma camada de complexidade ao balanço global de oferta e demanda, contribuindo para a alta dos preços futuros do açúcar. O mercado de açúcar branco em Londres também acompanhou essa tendência, com contratos registrando aumentos significativos.
No Brasil, o açúcar cristal branco teve uma valorização, com o indicador CEPEA/ESALQ alcançando R$ 98,31 por saca de 50 quilos. Essa alta é um reflexo da combinação entre menor disponibilidade, incertezas climáticas e o comportamento das exportações, que mantém o mercado interno firme.
Desempenho do etanol e riscos na Europa
O etanol hidratado, por sua vez, também apresentou alta, alcançando R$ 2.337,00 por metro cúbico em São Paulo, acumulando quase 10% de valorização em agosto. Essa recuperação é importante, pois a relação entre os preços do açúcar e do etanol influencia as decisões das usinas sobre a destinação da cana.
Na Europa, a produção de beterraba açucareira enfrenta riscos devido à combinação de seca e altas temperaturas, o que pode resultar em uma das menores produções dos últimos anos. Na Ucrânia, a produção de beterraba deve recuar significativamente, aumentando a percepção de uma oferta global mais ajustada.
Na Índia, a situação das chuvas de monção continua sendo monitorada, com precipitações acumuladas ainda abaixo da média histórica. Essa situação é crítica, pois a Índia desempenha um papel estratégico na produção e comércio mundial de açúcar, e mudanças nas previsões podem impactar os preços internacionais.
Com o cenário atual, o mercado de açúcar entra na segunda metade de agosto sob a influência de fatores climáticos, produção e disponibilidade global. A volatilidade das projeções para as principais regiões produtoras e os dados de produção mais fracos no Brasil reforçam a necessidade de atenção constante por parte dos agentes da cadeia sucroenergética.











