Prévia: O mercado internacional de açúcar enfrenta novas quedas, refletindo um aumento na oferta global e a recuperação da safra brasileira. No Brasil, o etanol também registra perdas significativas, acumulando uma queda de 8% em julho.
Na última quinta-feira (23), o mercado mundial de açúcar registrou perdas acentuadas, continuando a tendência de desvalorização observada ao longo da semana. As cotações na ICE Futures US, em Nova York, e na ICE Futures Europe, em Londres, fecharam em baixa, impulsionadas pela expectativa de maior oferta global e pela recuperação da safra brasileira, além da diminuição das preocupações com a produção na Índia.
Desempenho das bolsas internacionais
Os contratos futuros do açúcar bruto na Bolsa de Nova York encerraram o dia em queda. Os principais vencimentos apresentaram os seguintes resultados:
- Outubro/2026: 14,69 cents de dólar por libra-peso, queda de 0,05 ponto;
- Março/2027: 15,58 cents/lbp, recuo de 0,07 ponto;
- Maio/2027: 15,40 cents/lbp, baixa de 0,08 ponto.
Esse movimento negativo reflete um mercado cauteloso, com a perspectiva de uma oferta confortável nos principais países produtores.
Na ICE Futures Europe, o açúcar branco também seguiu a tendência de baixa, com os principais contratos apresentando quedas significativas. Os resultados foram:
- Outubro/2026: US$ 459,80 por tonelada, queda de US$ 4,90;
- Dezembro/2026: US$ 459,60 por tonelada, recuo de US$ 3,80;
- Março/2027: US$ 461,00 por tonelada, baixa de US$ 2,80.
Impactos no mercado interno
No Brasil, o mercado de açúcar cristal também enfrentou desvalorização. O Indicador CEPEA/ESALQ registrou o açúcar cristal a R$ 91,49 por saca de 50 quilos, com uma queda diária de 0,21%. Apesar da desvalorização, o indicador ainda apresenta uma alta acumulada de 0,24% em julho, indicando um mercado interno com oscilações.
O setor de etanol também está sob pressão. Em Paulínia (SP), o etanol hidratado foi negociado a R$ 2.176,00 por metro cúbico, com uma retração de 0,11% em relação ao dia anterior. No acumulado de julho, a queda chega a 8,01%, resultado do aumento na disponibilidade de produto devido ao avanço da moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul.
Fatores de pressão no mercado
As condições climáticas na Índia, um dos maiores produtores de açúcar do mundo, continuam a ser monitoradas pelos investidores. Embora as chuvas de monção estejam abaixo da média em algumas regiões, a recuperação recente diminuiu as preocupações com perdas na produção, reduzindo o prêmio climático nas cotações internacionais.
Além disso, a expectativa de ampla oferta global de açúcar permanece como um fator de pressão. O avanço da safra brasileira tem elevado o fluxo de produção e exportações, limitando uma recuperação mais consistente nos preços internacionais. Analistas indicam que o mercado deve continuar a ser influenciado por atualizações sobre o clima nos principais países produtores e as perspectivas de consumo global nas próximas semanas.











