Após ter sua indicação ao Supremo Tribunal Federal rejeitada, o advogado-geral da União Jorge Messias afirmou a jornalistas nesta quarta-feira 29 que passou por um processo de “desconstrução” ao longo dos últimos meses e que sua história “não acaba” com o revés no Senado. Ele precisava de 41 votos a seu favor, mas obteve apenas 34. Outros 42 senadores se manifestaram contra a aprovação do AGU para a Corte.
Segundo Messias, faz parte da vida “saber ganhar e saber perder”. “Lutei o bom combate, como todo cristão. Sei que a minha história não acaba aqui. Tenho 46 anos, tenho história, tenho currículo, tenho uma vida limpa. Passei por cinco meses um processo de desconstrução da minha imagem”, disse. “Toda a sorte de mentiras para me desconstruir ocorreu. Nós sabemos quem promoveu tudo isso”.
Mesmo com a reprovação, o auxiliar de Lula (PT) afirmou ser grato a Deus e disse ter cumprido seu desígnio. “Hoje participei de uma a uma sabatina de coração aberto, de alma leve, um espírito franco. Falei a verdade, falei o que penso, falei o que sinto demonstrei o que sinto. Agora, a vida é assim, gente. Tem dias de vitórias e tem dias de derrotas. Nós temos que aceitar. O Senado é soberano”.
A última vez que a Casa Alta rejeitou uma indicação do Presidente da República ao Supremo foi em 17 de novembro de 1894. Naquele dia, o general Francisco Raymundo Ewerton Quadros e o então diretor dos Correios Demosthenes da Silveira Lobo, indicados para o tribunal pelo então presidente Floriano Peixoto, tiveram seus nomes barrados.
A rejeição de Messias ocorreu após um processo marcado por atrasos, resistências e intensa articulação do governo no Senado. Anunciada por Lula em novembro do ano passado, a indicação demorou mais de quatro meses para avançar formalmente, em meio a incertezas sobre o apoio necessário para aprovação.




