O veto do presidente Lula (PT) ao PL da Dosimetria tende a ser derrubado na sessão marcada pelo presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), para a próxima quinta-feira 30. Mesmo assim, o governo prepara uma estratégia para amenizar a provável derrota.
Focado principalmente na conquista de votos para a sabatina de Jorge Messias no Senado, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, também discutiu a dosimetria com senadores nos últimos dias. A ideia é convencê-los de que o Congresso pode ser protagonista na pauta, evitando que o tema chegue ao Supremo Tribunal Federal caso se confirme a queda do veto.
O governo também visualiza a chance de virar votos de senadores que antes apoiavam a dosimetria. Como a votação em sessão conjunta do Congresso Nacional é secreta, a expectativa é que alguns dos expoentes do Centrão mudem suas posições sobre o PL.
O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) também tem conduzido conversas com seus pares, nas quais argumenta que para “perder de menos” o governo tem de convencer os senadores de que o PL da Dosimetria é ruim para a democracia, por transmitir uma mensagem de impunidade àqueles que atentaram contra o Estado Democrático de Direito.
O argumento instiga o Centrão, que, apesar de não ter “compromisso” com os outros poderes, avalia que uma eventual reabilitação de Jair Bolsonaro (PL) no campo eleitoral seria ruim para os projetos do grupo – sobretudo em questões de imagem para o público. O ex-presidente, porém, também está inelegível por duas condenações no Tribunal Superior Eleitoral.
E a Câmara?
Na Câmara, já há um movimento do governo para jogar a toalha. A expectativa é que o placar de 291 votos favoráveis à diminuição de penas dos golpistas se repita na sessão do Congresso Nacional.
A oposição calcula até mais votos. Com o crescimento do PL na Casa depois da janela partidária, a cúpula do partido projeta mais de 300 votos.




