O luto pela influenciadora Isabel Veloso, que faleceu em 10 de janeiro deste ano após uma luta pública contra o Linfoma de Hodgkin, tomou o rumo dos tribunais e das delegacias. O que antes era acompanhado por milhões de seguidores como uma história de resiliência, agora se transformou em uma complexa batalha de narrativas envolvendo o viúvo, Lucas Borbas, o pai da jovem, Joelson de França Veloso, e a família materna da influenciadora.
Relatos de isolamento e “tortura psicológica”
Em depoimentos e áudios obtidos pela reportagem, Priscila Kiekow, irmã de Isabel, descreve um ambiente de hostilidade que teria se intensificado enquanto a influenciadora ainda estava na UTI. Segundo Priscila, familiares ligados ao pai e ao viúvo teriam iniciado uma série de mensagens intimidatórias, acusando-a de ter expulsado Isabel de casa no passado — fato que a irmã nega categoricamente.
“Estou em profundo sofrimento psicológico. Em um momento em que deveríamos estar focados na saúde da minha irmã e no bem-estar do meu sobrinho, fomos alvo de ataques”, desabafou Priscila.
A polêmica da “vaquinha” e o início do distanciamento
Um dos pontos centrais do conflito remonta a fevereiro de 2025, quando Isabel ainda era menor de idade. De acordo com a família materna, Lucas Borbas — então com 27 anos — teria incentivado Isabel, na época com 17, a realizar uma campanha de arrecadação digital (vaquinha) para custear o casamento do casal.
A família relata que a meta inicial de R$ 20 mil foi superada, ultrapassando os R$ 45 mil. Contudo, como a celebração teria sido realizada majoritariamente por meio de parcerias e doações, o destino do excedente financeiro tornou-se motivo de questionamento. “Ninguém foi contra o casamento, era o sonho dela. O que nos indignou foi a exposição da imagem de uma menor de idade para arrecadação sem o consentimento da mãe”, explica a irmã.
Notificações extrajudiciais e monitoramento do Ministério Público
O embate jurídico ganhou novos contornos com o envio de notificações extrajudiciais por parte da defesa de Lucas Borbas, solicitando a remoção de postagens feitas pela família materna sob alegação de “lesão à honra e reputação”. A defesa do viúvo sustenta que as publicações referem-se a questões antigas e superadas.
Por outro lado, a família materna acionou o Ministério Público para garantir o direito de convivência com o filho de Isabel, o pequeno Arthur. Há o temor de que o isolamento imposto à Isabel durante os últimos meses de vida seja replicado na criação da criança.
Incoerências no discurso médico
Outra frente de conflito envolve Joelson de França Veloso, pai de Isabel. Priscila Kiekow afirma possuir um dossiê com “incoerências” entre as declarações públicas de Joelson — que frequentemente celebrava melhoras da filha em portais de notícias — e sua atual intenção de processar o hospital por negligência. Para a irmã, a mudança de discurso revela uma tentativa de judicializar o óbito para fins indenizatórios, ignorando a realidade clínica enfrentada na UTI.
O outro lado
Procurados, Lucas Borbas e Joelson de França Veloso ainda não se manifestaram oficialmente sobre as acusações de isolamento e má gestão de imagem. O espaço segue aberto para o posicionamento de ambos. O Hospital Erasto Gaertner, onde Isabel foi tratada, informou que segue protocolos rigorosos de transparência e que todas as informações clínicas foram repassadas aos responsáveis legais durante o tratamento.














