Terceira temporada de “Os outros”
A terceira temporada de “Os Outros” estreou na quinta-feira (9), trazendo uma continuação ao universo de tensão e conflitos que conquistou o público desde a estreia da primeira temporada em 2023. A produção conta sobre o embate entre duas famílias em um condomínio de classe média no Rio de Janeiro, onde desentendimentos cotidianos rapidamente escalam para situações extremas.
A trama inicial gira em torno de um conflito, entre adolescentes, durante uma partida de futebol que desencadeia uma escalada de violência entre seus pais. A rivalidade dos vizinhos ultrapassa os limites e leva a consequências devastadoras para todos os envolvidos. Acompanhamos ao longo das três temporadas Cibele, interpretada por Adriana Esteves, e seu filho, Antonio Haddad.
O elenco conta, ainda, com a participação de nomes, como: Lázaro Ramos e Mariana Lima peças-chaves no agravamento dos novos conflitos dessa terceira temporada.
Novidades
Criada por Lucas Paraizo, responsável por séries como Sob Pressão, e dirgida por Luisa Lima a série ganhou destaques do catálogo do Globoplay. Nesta nova temporada, a narrativa deixa o ambiente urbano para explorar a vida no campo, levando os personagens à região serrana e ampliando as tensões em um cenário ainda mais isolado e propício ao confronto.
Take da terceira temporada de “Os outros”
O deslocamento geográfico, no entanto, não é apenas narrativo. Ele se reflete diretamente na construção estética da série, que ganha novos contornos visuais para traduzir o isolamento, o desconforto e a escalada emocional dos personagens. É nesse ponto que o trabalho do diretor de fotografia Henrique Vale se soma à construção da série, contribuindo também para a criação da tensão dramática.
Mineiro, natural de São João del-Rei, Henrique Vale, 39, vem construindo uma trajetória consistente no audiovisual brasileiro. Responsável pela fotografia das três temporadas de “Os Outros”, ele também assina trabalhos exibidos na TV Globo, no Globoplay e em plataformas de streaming, com projetos como Onde Está Meu Coração, Justiça e Caso Eloá – Refém ao Vivo.
Henrique Vale
Em entrevista exclusiva ao iG, o diretor de fotografia detalha como sua relação com a imagem começou cedo e como suas escolhas técnicas ajudam a construir a atmosfera da série.
“Acho que quem plantou a semente para que eu me encantasse com o audiovisual foi o meu avô que era um amante do cinema e organizava sessões todas as noites para a família em uma sala de cinema que montou em casa. Cresci nesse ambiente e a programação eram mais filmes mainstream e clássicos.
Comecei a trabalhar no audiovisual em 2004 ou 2005, na produtora de dois primos que fazia a cobertura de festivais culturais principalmente no estado de Minas Gerais. Ali comecei a trabalhar em transmissões simultâneas de shows, fazendo câmera ou no corte das imagens que iam para o telão.
Não consigo me recordar exatamente do momento em que decidi seguir como Diretor de Fotografia, mas acredito que foi um caminho que busquei na medida em que entendi que trabalhar com imagem me interessava e que gostaria de aprofundar os estudos nessa área. Apesar de ter feito o curso de Comunicação Social com habilitação para Jornalismo, todos os projetos que fiz durante a graduação foram ligados ao audiovisual. Bolsas, estágios, treinamentos, sempre fui direcionando para essa área”.
Henrique também destaca que seu olhar permanece centrado na obra, mesmo após transitar por diferentes formatos; para ele, é o olhar que se adapta às exigências de cada projeto, e não o contrário.
“Eu acho que tem aqui uma questão prática. O ponto de partida no meu processo criativo é o mesmo. Vou sempre tentar mergulhar no universo da história que vamos contar.
Depois preciso traduzir o que a intenção do roteiro e da direção vão influenciar na fotografia. Mas é preciso adequar a cada formato. Existem premissas reais para serem cumpridas. Sempre vai existir um orçamento, uma meta de produtividade diária, um período X de conceituação.
Mesmo dentro do mesmo formato de exibição, os projetos podem ter desenhos muito diferentes. Existem filmes autorais e filmes mais comerciais. Na TV aberta, por exemplo, o tempo é outro, precisa ser mais produtivo, precisa filmar com mais câmeras para ganhar tempo. No fim, claro que cada formato impõe sim algumas características, mas o que define mais ainda a abordagem é qual é o desenho do projeto que estamos fazendo.”
Buscando compreender melhor os processos criativos e técnicos das gravações de “Os outros”, Henrique detalhou alguns dos caminhos adotados ao longo da produção. Ele fala sobre como foi preciso alinhar tudo para passar os sentimentos de tensão característico da série.
As escolhas visuais não só acompanham o roteiro, como ajudam a conduzir a forma como o público percebe e interpreta cada conflito em cena. Para Henrique Vale, esse papel levanta uma questão central:
“Eu acho que a função da fotografia é adicionar mais camadas de significado e criar uma atmosfera para contar uma cena. Ela pode sim mudar completamente a percepção da cena, mas ela não deve querer fazer isso aleatoriamente. A fotografia tem uma função de fazer escolhas que estejam alinhadas com o desejo da direção de conduzir aquela cena ou projeto.
Cabe ao fotógrafo ser a liderança técnica e artística que vai tentar traduzir isso fazendo escolhas para a fotografia de cada cena. A pergunta é mais o que a fotografia pode fazer para trazer a percepção desejada ou encaminhar uma sensação para o público.
Mas aí também tem o público que vai receber aquilo que foi feito e ressignificar com o seu próprio repertório. A gente tem mais a função de sugerir do que de impor um comentário visual”.














