No dia a dia, hábitos aparentemente inofensivos — como sussurrar para “descansar” a voz, pigarrear para aliviar o desconforto na garganta ou recorrer a pastilhas — podem estar, na verdade, fazendo mais mal do que bem. O alerta ganha força no Dia Mundial da Voz, celebrado em 16/4, quando especialistas chamam a atenção para erros comuns que colocam a saúde vocal em risco.
Embora muitas vezes negligenciada, a voz é um instrumento essencial de comunicação e trabalho para milhões de pessoas.
Hábitos comuns que fazem mal à voz
Professores, atendentes, cantores e profissionais da comunicação estão entre os mais vulneráveis a problemas vocais. Um levantamento apresentado no IV Seminário Trabalho e Saúde dos Professores, em 2021, mostrou que 57% dos docentes da rede municipal de São Paulo já enfrentou algum tipo de alteração na voz.
De acordo com o otorrinolaringologista Gustavo Passerotti, do Hospital e Maternidade São Luiz Osasco, da Rede D’Or, a desinformação ainda é um dos principais fatores por trás desses quadros. “Muitas pessoas acreditam que estão cuidando da voz, mas acabam adotando atitudes que aumentam a sobrecarga e favorecem lesões”, explica.
Rouquidão não deve ser ignorada
Entre os sinais de alerta, a rouquidão merece atenção especial. Apesar de frequentemente associada a quadros simples, como inflamações ou uso excessivo da voz, ela também pode indicar alterações mais complexas, como nódulos, cistos ou pólipos nas cordas vocais.
Em casos mais raros, pode ser um dos primeiros sintomas de doenças graves, como o câncer de laringe — especialmente quando persiste por mais de duas semanas.
Mitos que atrapalham mais do que ajudam
No senso comum, algumas práticas ainda são vistas como aliadas da saúde vocal, mas não resistem à análise médica. Sussurrar, por exemplo, pode exigir mais esforço das cordas vocais do que a fala normal, aumentando a tensão na região. Já o hábito de pigarrear, bastante comum, provoca atrito repetitivo e pode favorecer o surgimento de lesões ao longo do tempo.
Outro equívoco frequente é acreditar que pastilhas, gargarejos ou bebidas muito quentes — como chás — são capazes de tratar problemas na garganta. Na prática, essas medidas apenas aliviam temporariamente os sintomas, sem atuar na causa. Temperaturas extremas, inclusive, podem irritar ainda mais a mucosa da laringe.
O que realmente ajuda a proteger a voz
Por outro lado, algumas estratégias simples podem contribuir para a saúde vocal. A hidratação adequada é uma das principais aliadas, já que ajuda a manter as pregas vocais lubrificadas. Alimentos como frutas — especialmente aquelas que estimulam a salivação, como a maçã — também podem colaborar nesse processo.
Além disso, controlar alergias respiratórias e evitar substâncias irritativas, como álcool, cigarro, cafeína em excesso e alimentos muito condimentados, faz diferença na preservação da voz.
A percepção da própria voz também costuma enganar. Muitas pessoas estranham quando se escutam em gravações, mas isso é esperado: no dia a dia, a voz é percebida não apenas pelo som que sai, mas também pela vibração interna do corpo — o que altera a forma como ela é ouvida.
Quando é hora de procurar ajuda médica
Segundo o especialista, a atenção aos sinais do corpo é fundamental para evitar complicações. Sintomas como rouquidão persistente, dor ao falar ou engolir e tosse frequente por mais de 15 dias devem ser avaliados por um médico.
“Cuidar da voz passa, antes de tudo, por informação de qualidade. Pequenas mudanças de hábito podem evitar problemas importantes e preservar a saúde vocal ao longo da vida”, conclui.
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