O ambiente das academias — geralmente fechado, quente e com alta circulação de pessoas — esconde riscos que vão além das lesões musculares. A combinação de calor e umidade, somada ao contato constante com equipamentos, torna esses espaços propícios para a proliferação de microrganismos. No entanto, o perigo não reside apenas nas conhecidas micoses: vírus (incluindo da família do HPV) e bactérias também encontram terreno fértil na pele dos atletas.
De acordo com a dermatologista Paula Sian, a conscientização sobre o comportamento individual é a ferramenta mais eficaz para manter a saúde dermatológica em dia. “A pele úmida, quente e em contato com superfícies contaminadas cria o cenário ideal. Vemos muitos casos de verrugas e outras infecções que as pessoas nem associam à academia”, explica a especialista.
Entenda
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Além da micose: vírus e bactérias são transmitidos pelo contato com superfícies ou ao andar descalço, manifestando-se como verrugas e inflamações.
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Vestiário é o ponto crítico: bancos, ganchos coletivos e toalhas compartilhadas são focos maiores de contaminação do que os próprios aparelhos de musculação.
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Higiene das mãos: o hábito de limpar o assento dos aparelhos é comum, mas negligenciar as mãos que tocam halteres e barras facilita a autoinfecção ao tocar o rosto.
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Inimiga número um: a umidade é o principal fator de risco. Permanecer com roupas suadas por longos períodos fragiliza a barreira de proteção da pele.
O perigo está nos detalhes
Ao contrário do senso comum, os aparelhos de musculação não são os únicos “vilões”. O maior risco, segundo Paula, está no uso incorreto dos espaços comuns e objetos de suporte. “Bancos, toalhas, roupas e ganchos são pontos importantes. A pessoa apoia a toalha, outra coloca a dela no mesmo lugar, e o ciclo de contaminação se estabelece”, alerta.
Para mitigar esse risco, a recomendação é rigorosa: evitar o contato direto da pele nua com superfícies compartilhadas. Medidas como usar protetores de assento no banheiro, não sentar diretamente nos bancos do vestiário e manter a toalha isolada (sobre a mochila, por exemplo) são essenciais.
Erros comuns e prevenção
Muitos frequentadores cometem o erro de circular descalços ou de guardar roupas úmidas em cestos fechados, o que potencializa a sobrevivência de fungos. A solução, contudo, é prática e baseada em hábitos de higiene básica:
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Banho imediato: tomar banho logo após o treino para remover o suor e resíduos.
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Proteção nos pés: jamais circular sem chinelos em vestiários e chuveiros.
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Barreira física: usar toalhas próprias para cobrir colchonetes e bancos.
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Troca de roupa: lavar as peças de treino após cada uso, evitando a reiteração do contato com tecidos contaminados.
Quando procurar ajuda?
Se a prevenção falhar, o diagnóstico precoce é fundamental. O tratamento para infecções como verrugas pode envolver técnicas de crioterapia (congelamento), cauterização ou uso de ácidos específicos.
Paula Sian reforça que a automedicação pode ser perigosa: “Nem toda irritação é micose. Tratar de forma equivocada pode mascarar ou piorar o quadro. Se a lesão coça, arde, descama ou simplesmente não apresenta melhora, a orientação é buscar um dermatologista imediatamente”.














