De assistente à diretora: Anita Barbosa comanda “Se Eu Fosse Você 3”
Com estreia prevista para setembro nos cinemas, ‘Se Eu Fosse Você 3’ marca um novo capítulo de uma das franquias mais populares do cinema brasileiro. Desta vez, a direção fica a cargo de Anita Barbosa, que participou dos dois primeiros filmes como assistente de direção ao lado de Daniel Filho. O elenco traz de volta nomes consagrados como Gloria Pires e Tony Ramos, além de Cleo e Rafael Infante.
Em entrevista ao iG, Anita falou sobre a transição para o comando do longa, os desafios de dar continuidade a uma marca querida do público e o cenário atual do audiovisual no Brasil.
Anita destaca que, apesar de já ter dirigido outros projetos, assumir o terceiro filme da franquia tem um peso especial: “Não é a minha primeira direção, né? Eu já dirigi outros filmes, já séries e tal, mas partindo assim, falando dessa franquia, pra mim está sendo muito especial, porque nos dois outros filmes eu era assistente do Daniel e eu tive a oportunidade maravilhosa de participar de todo o processo criativo dele, dos ensaios, da concepção do roteiro. A gente esteve sempre muito próximo. O Daniel é um mestre muito generoso e sempre fez questão que a gente participasse de tudo.”
O convite para dirigir o terceiro longa veio acompanhado de surpresa e emoção. “Quando a gente resolveu fazer esse terceiro filme, primeiro foi uma surpresa. Eu falei, ai meu Deus, será? E aí, depois, quando a gente engrenou, começou a construir a história, o roteiro, aí volta aquela memória toda, né? Toda aquela coisa dos outros filmes, né? Aquela experiência que eu já vivi”, contou.
Nostalgia como aposta
Sem antecipar detalhes da trama, a diretora reforça que o público encontrará elementos já conhecidos da franquia. “Eu acho que o público pode esperar, bom, é uma nostalgia, na verdade, é uma saudade que a gente vai matar, é isso. O público pode esperar a diversão, porque esse filme, ele tem o mesmo formato que os outros dois. A gente não foge muito do que é aquela regra, daquela história. É isso, eu acho que o público pode esperar matar saudades”, adintou.
Anita Barbosa nos bastidores de ‘Se Eu Fosse Você 3’
Desafios de uma franquia consolidada
Assumir um projeto com forte apelo popular trouxe também uma grande responsabilidade, segundo Anita: “Bom, número um, encarar essa responsabilidade enorme, porque ‘Se Eu Fosse Você’ é uma marca muito querida para o público e para todos nós, então a responsabilidade de entregar uma coisa que faça o público feliz é enorme. Esse foi o maior desafio para mim.”
Além disso, Anita destaca a complexidade técnica do filme. “Não é um filme fácil, né, acho que você possa imaginar, porque quando se trata de uma troca de corpos, a gente tem aí um trabalho muito, muito difícil, de muita dedicação, muito cuidadoso em relação à interpretação dos atores. O olhar da direção, ele não é um filme fácil de se fazer, ele é um filme complexo”, contou.
Experiência como base
A bagagem adquirida nos longas anteriores foi essencial para dar segurança à diretora neste novo momento: “Esses dois filmes passados foram duas experiências incríveis, né, que ajudaram a construir a minha carreira, a minha formação profissional e me fez conhecer esses dois atores dos quais eu sou muito, muito fã, que são o Tony e a Gloria.”
Ela explica que revisitou aprendizados práticos durante o processo. “Hoje, trazendo a minha bagagem dos filmes passados para esse filme 3, o que me traz conforto, porque eu já vi esse filme, eu meio que sei, você meio que sabe, você vai seguindo uma fórmula, né. Eu sempre lembrava, não, a gente fazia assim, não, a gente fazia assado, ah, isso funciona. Bom, o segredo da coisa é essa, então eu acho que é, a experiência sempre conforta, né, nesse sentido”, relatou.
Trajetória e formação
Filha de uma família ligada ao audiovisual, Anita afirma que seu caminho profissional começou cedo: “Eu comecei a trabalhar muito cedo, né, eu venho de uma família que é do audiovisual, então eu desde cedo me vi ali em setes de filmagem, às voltas com festivais de cinema. A gente produz o Festival do Rio, então eu já tenho essa, eu nasci no audiovisual, eu cresci com isso, isso já estava na minha veia.”
A diretora construiu sua carreira de forma gradual. “Quando eu fiz meu primeiro filme como assistente de direção, há muitos anos atrás, eu vi que era uma coisa que eu gostava muito de fazer, só que eu queria muito aprender. Então eu fiz esse caminho, eu tentei fazer essa trajetória de aprendizagem mesmo, de lá de trás, de estagiária, assistente, um, dois, três, sabe, fazer todo esse caminho sem pressa ao longo desses mais de 20 anos, até chegar à direção solo”, relembrou.
Obstáculos e desigualdade
Anita reconhece os desafios enfrentados ao longo da carreira, especialmente no que diz respeito à concorrência e às desigualdades.
“Muitos, né, muitos, talvez não tantos quanto outras pessoas, porque como eu disse, como eu já estava inserida ali dentro da coisa, isso me trouxe muitas oportunidades, isso aí eu preciso dizer com muito orgulho e com muita gratidão. Mas os obstáculos sempre, concorrência, é um obstáculo que a gente enfrenta até hoje. Sempre tinha alguém mais experiente, ou um homem ali na minha frente. Não é fácil, não é uma carreira fácil, e quer muita dedicação e muita vontade de continuar, porque muitas vezes a gente pensa, poxa, é muito difícil, será que eu vou desistir? Não, mas a perseverança ajuda muito”, Anita Barbosa
Sobre a baixa presença feminina em cargos de liderança no cinema, ela é enfática: “É muito, é difícil. Eu acho que a gente está na batalha, eu acho que a gente precisa de mais oportunidades, porque a gente sabe fazer. O que a gente precisa é que confiem mais na gente, que confiem mais a mulheres, orçamentos altos, filmes complexos, histórias diferentes. Eu acho que a gente termina ficando um pouco para trás no quesito liderança. O que falta para a gente é confiarem na gente, é só confiar que a gente vai fazer.”
Representatividade e liderança
Para Anita, dirigir um filme popular também tem um impacto simbólico importante: “Eu me sinto muito agraciada pela oportunidade de poder estar na frente, liderando essa equipe. O diretor é o guia, né? E eu estando nesse lugar, eu me sinto muito feliz em abrir caminhos para outras mulheres, para outras pessoas que não sejam ainda tão consagradas, que tenham a oportunidade de receber uma responsabilidade dessa.”
“Eu tive a oportunidade de escolher muito da minha equipe e eu tive muitas mulheres ali em volta de mim, inclusive no comando desse processo todo. E também quis trazer pessoas que vêm lá na trajetória desde o Se Eu Fosse Você 1 e 2, porque eu achava muito importante estarem aqui nesse terceiro de novo. Estamos todas juntas, né, então isso ajuda muito”, completou.
Conselhos e olhar para o futuro
Ao falar com mulheres interessadas no audiovisual, Anita reforça a importância da experiência: “Adquira experiência, porque a experiência fortalece a gente. O saber fazer te traz segurança e é o que a gente mais precisa. Faça a trajetória completa, seja assistente, estude, para você ter segurança daquilo que você está fazendo.”
Ela também avalia o momento do cinema brasileiro com otimismo. “Eu acho que o cinema nacional está num momento de ascensão, a gente tem tido uma visibilidade muito maravilhosa. O nosso cinema é uma potência. O que a gente precisa é de investimento e que o público se reconecte com o cinema nacional. Vá ao cinema assistir um filme brasileiro, você vai se surpreender. Nós temos produtos maravilhosos e diversos”, destacou Anita.














