Pela primeira vez, uma mulher comandará uma equipe masculina nas ligas de elite do futebol europeu. O Union Berlin, clube sediado na capital alemã, nomeou Marie-Louise Eta, de 34 anos, para o cargo de técnica neste domingo 12.
Este é considerado um marco histórico na Bundesliga, a competição nacional do futebol alemão.
Na noite de sábado, Steffen Baumgart foi demitido do posto de técnico, junto com seus auxiliares Danilo de Souza e Kevin McKenna, após uma derrota amarga do Union Berlin para o Heidenheim.
Eta treinava a equipe masculina Sub-19 do Union. Desde o início do mês, estava acertado que ela assumiria o comando do time feminino do clube na próxima temporada.
Missão pela frente
Agora, ela terá cinco jogos para garantir a permanência da equipe masculina no campeonato alemão. O Union tem apenas duas vitórias em 14 partidas e ainda não está livre do rebaixamento, seis pontos acima da zona de perigo.
“Permanecer na Bundesliga ainda não está garantido, considerando as diferenças de pontos na metade inferior da tabela. Fico feliz que o clube confie em mim para essa tarefa desafiadora”, disse Eta ao site do clube. “Uma das forças do Union sempre foi a nossa capacidade de nos unirmos nessas situações. E, claro, estou convencida de que conquistaremos os pontos decisivos com a equipe.”
Eta já havia feito história com o Union em 2023 como a primeira auxiliar técnica mulher na Bundesliga e nas principais divisões das “cinco grandes” ligas do futebol europeu — Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França. Em 2024, ela assumiu também as funções de imprensa do então treinador, Nenad Bjelica, quando ele foi suspenso por três partidas.
De jogadora ao comando técnico
Eta conquistou o título alemão em 2009 e a Liga dos Campeões em 2010 com o Turbine Potsdam, antes de encerrar a carreira como jogadora do futebol feminino alemão aos 26 anos, em 2018.
Ela passou a atuar imediatamente como técnica em seu então clube, o Werder Bremen, onde comandou equipes da base e foi auxiliar de seleções nacionais de categorias juvenis.
Em março de 2023, Eta obteve a licença máxima de treinadora e disse à revista esportiva Kicker na época: “Sempre achei que funciona bem para mim dar um passo de cada vez. Por isso, consigo imaginar facilmente fazendo muitas coisas: assumir uma seleção juvenil em algum momento, trabalhar como auxiliar técnica nas ligas profissionais masculinas, comandar uma equipe da Bundesliga feminina ou até times masculinos sub-17 ou sub-19.”
“Não deveria ser a única”
A nova técnica do Union Berlin diz que nunca teve problemas por ser mulher em um ambiente dominado por homens.
“Sei que isso me dá uma característica única”, afirmou. “Claro que algumas pessoas acham isso interessante, mas eu cresci jogando futebol com meninos e também como treinadora em uma academia de base. Do ponto de vista externo, certamente é uma questão, mas não deveria ser a única, e eu não quero ser tratada como um caso especial.”
O Union demonstra confiança em Eta. O diretor de futebol profissional do clube, Horst Heldt, disse: “Estou muito satisfeito que Marie-Louise Eta tenha aceitado assumir esta função.”
Outras mulheres já alcançaram o comando de equipes profissionais masculinas na Alemanha ou em outros países europeus, embora sejam franca minoria.
Entre outros exemplos, Carolina Morace esteve à frente do clube italiano Viterbese, da terceira divisão, por algumas partidas em 1999, e Sabrina Wittmann comanda o Ingolstadt, da terceira divisão alemã, desde 2024. Além disso, há Renate Blindheim, técnica do Sotra, da segunda divisão da Noruega, desde 2020.
FIFA: Mais oportunidades para mulheres
A FIFA decidiu no mês passado que as mulheres precisam de mais oportunidades na carreira de treinadoras.
“Simplesmente não há mulheres suficientes na função de treinadora hoje. Precisamos fazer mais para acelerar a mudança, criando caminhos mais claros, ampliando oportunidades e aumentando a visibilidade das mulheres à beira do campo”, afirmou Jill Ellis, diretora de futebol da FIFA.
A entidade máxima do futebol determinou que equipes femininas devem ter uma técnica principal ou uma auxiliar técnica mulher para poderem participar de seus eventos, como a Copa do Mundo de 2027, no Brasil.














