Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Coração na Multidão: O reencontro histórico de 35 anos que fez Deborah Secco e Angélica chorarem juntas

Em uma noite marcada por memórias afetivas, as duas cantaram juntas "Coração na Multidão" pela primeira vez em mais de três décadas e protagonizaram um abraço comovente durante a pausa...

 

COLUNA DENILSON ANDRADE

Portal Exposed Brasil — Rio de Janeiro, 07 de novembro de 2026.

Por Denilson Andrade — Colunista de TV, Arte, Cultura e Celebridades
O valor da memória: Bastidores do “Angélica Ao Vivo” mostram que o afeto resiste ao tempo e à TV
Quem assiste à televisão de casa raramente consegue enxergar a linha tênue que separa o artista da sua própria humanidade. Ontem à noite, misturado ao calor da plateia na gravação do Angélica Ao Vivo, no GNT, este colunista acompanhou com atenção redobrada um reencontro que tocou fundo no coração de quem estava ali. Longe dos holofotes armados para o espetáculo, o que realmente prendeu a atenção foi a força silenciosa da nostalgia, o humor afiado do elenco e os laços reais que o tempo não consegue apagar.
A noite começou sob o signo da descontração e da elegância. Mariana Ximenes, vestindo um blazer impecável, trouxe uma dose de pura classe ao palco ao arriscar e cravar um espacate perfeito usando salto agulha. No cardápio de memórias, Mariana resgatou sua própria infância ao falar da seriguela, a fruta afetiva que marcou suas viagens para Fortaleza. Na sequência, o ex-jogador Denílson relembrou um pedaço da sua trajetória ao assistir, no telão, à sua entrevista no extinto Angel Mix, gravada lá atrás, em 1998. Houve uma tentativa divertida de recriar a clássica altinha no palco, mas a brincadeira acabou esbarrando no figurino de Angélica — o vestido longo e justo impediu os movimentos com a bola, gerando risadas espontâneas.
O programa seguiu com dinâmicas que expuseram a intimidade e o bom humor dos convidados. Angélica resgatou placas com frases marcantes ditas por eles no passado, tentando adivinhar o autor de cada declaração em meio a piadas internas. Já com os celulares em mãos, a apresentadora propôs o desafio de ouvirem, ao vivo, o último áudio recebido: Deborah ouviu uma mensagem carinhosa de sua mãe; Denílson caiu no riso ao reproduzir a filha pedindo permissão para sair; e Mariana roubou a cena ao abrir um convite de jantar pra lá de inusitado e engraçado.
A entrada da convidada surpresa, Deborah Secco, elevou o nível de afeto e cumplicidade no estúdio. Em um momento de admiração genuína, Deborah exaltou a unanimidade de Mariana Ximenes nos bastidores da TV Globo, destacando o quanto todos na emissora gostam e admiram a atriz, com quem dividiu cenas marcantes em novelas como A Padroeira, América e A Favorita. Mariana não escondeu a emoção ao ouvir a declaração da colega. Logo depois, o clima voltou a ficar hilário quando o papo entrou no universo da dramaturgia: Denílson confessou ter ciúmes do famoso “beijo técnico”. Com muito bom humor, Deborah tratou de acalmar o receio do ex-jogador, explicando que a cena é tão técnica e coreografada — pura mise-en-scène montada plasticamente para ficar bonita no vídeo — que não carrega sentimento algum. Sem perder a deixa, André Marques disparou: “Corta para o Denílson com ciúmes do mesmo jeito vendo a esposa beijando em cena”, levando todos às gargalhadas.
O fio condutor da memória afetiva atingiu seu ponto mais profundo quando o programa revisitou o início da trajetória de Deborah. A atriz contou com orgulho que, na infância, assistia ao Clube da Criança todas as tardes na extinta TV Manchete e ligava insistentemente para a produção. Quando a produtora Marilda atendia e perguntava se ela queria participar da plateia, a pequena Deborah respondia decidida que queria ser atriz. A persistência deu fruto: em 1988, Marilda a escalou para gravar a abertura do programa. Angélica exibiu uma foto raríssima do acervo pessoal de Deborah dessa época — incluindo registros de quando ela integrou o corpo de baile em alguns shows da loira no Escala, no Rio de Janeiro, e até dançou na festa de 15 anos da apresentadora. Rindo muito, Deborah lembrou os bastidores da gravação da abertura de 1988, revelando que passou mais de seis horas e meia rodopiando em uma cadeira para, no corte final, aparecer por apenas dois segundos no vídeo, recordando inclusive os nomes das meninas que integravam o balé e a gravação com ela.
Em um relato de pura superação familiar, Deborah relembrou também o dia em que participou de uma brincadeira no palco do Clube da Criança. Sua mãe estava recém-operada na plateia e, no meio da disputa, gritou: “Pega o telão, Deborah!”. A menina se atracou no prêmio e acabou vencendo, levando para casa o aparelho de projeção como um verdadeiro troféu.
O ápice da noite aconteceu quando as duas começaram a cantar juntas “Coração na Multidão”, canção icônica do primeiro álbum de Angélica, que a apresentadora revelou não cantar há 38 anos. Enquanto Angélica se esforçava para lembrar a letra da canção de 1988, Deborah surpreendeu a todos executando perfeitamente a coreografia original da época, que guarda na memória até hoje. Assim que a música terminou e o diretor anunciou o intervalo comercial, a emoção represada transbordou longe das câmeras: Deborah desabou em lágrimas e abraçou Angélica, que também já estava com os olhos marejados.
Segurando firmemente as mãos da apresentadora, com a voz embargada e visivelmente emocionada, Deborah olhou nos olhos de Angélica e fez uma declaração comovente de gratidão: afirmou que, graças a ela, aquela menina que dançava em seu balé e participava de seu programa lá na Manchete estava hoje sentada àquela mesa, como uma atriz reconhecida nacionalmente e plenamente realizada. Tocada pelo reconhecimento tão sincero, Angélica agradeceu o carinho com afeto. Para encerrar a noite em clima de celebração, o programa seguiu para a cozinha, onde Deborah provou seu doce favorito: um brigadeirão, que ela assumiu entre risos ser sua única e exclusiva especialidade culinária.
Ver o Angélica Ao Vivo de perto é entender que o verdadeiro sucesso de um formato não reside na rigidez de um roteiro ensaiado, mas na capacidade de abrir espaço para a espontaneidade do afeto. Entre o humor sagaz da mesa e a verdade nua e crua da gratidão de Deborah, o programa entregou à plateia um lembrete precioso de que, por trás das grandes personas da nossa cultura, batem corações que jamais esquecem quem lhes abriu a primeira porta.
 

0 votos: 0 positivos, 0 negativos (0 pontos)

Deixe uma resposta