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Indígenas Guarani Kaiowá em MS denunciam violência e ameaças após eleições

Após as eleições presidenciais do último domingo, indígenas da etnia Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, relataram uma série de casos de violência, incluindo tentativas de assassinato e ameaças...

Indígenas Guarani Kaiowá em MS denunciam violência e ameaças após eleições

Após as eleições presidenciais do último domingo, indígenas da etnia Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, relataram uma série de casos de violência, incluindo tentativas de assassinato e ameaças de envenenamento da água da comunidade. As denúncias foram feitas em um contexto de intimidação que se intensificou durante o período eleitoral.

De acordo com informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), pelo menos cinco casos de assassinatos de indígenas na região estão sendo investigados desde o dia 24 de outubro. O coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul, Matias Benno Rempel, destacou que, além das agressões físicas, houve relatos de caminhonetes circulando pelo território indígena com o intuito de causar pânico e impedir que os indígenas exercessem seu direito ao voto.

Rempel enfatizou que a violência contra a população Guarani Kaiowá não é um fenômeno isolado, mas uma realidade constante. “Agora temos holofotes para a região. Mas o que aconteceu essa semana, as tentativas de assassinatos, elas ocorrem o tempo todo com a população indígena Guarani Kaiowá. Essa violência que está sendo chamada de violência pós-eleitoral é um componente permanente de milícias do campo”, afirmou.

A Fundação Nacional do Índio (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) já solicitaram ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal investigações sobre os casos de violência. Um dos incidentes mais graves envolve um atropelamento intencional de um indígena na cidade de Coronel Sapucaia, localizada na fronteira com o Paraguai.

Dados da Apib revelam que, entre 2022 e 2026, seis indígenas da etnia Guarani Kaiowá foram assassinados no Mato Grosso do Sul, evidenciando a gravidade da situação. As estatísticas alarmantes refletem um padrão de violência que persiste na região, especialmente em momentos de tensão política.

Ameaça de envenenamento da água

Outra denúncia preocupante que está sendo investigada pelo MPF é a ameaça de envenenamento da água utilizada pela comunidade indígena, em retaliação ao resultado das eleições. Um áudio atribuído a um funcionário da prefeitura de Tacuru, no extremo sul do estado, sugere que os indígenas deveriam ser mortos por terem votado no candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na gravação, o homem sugere: “ponha veneno na água, (vamos) matar essas praga na água”.

O coordenador do departamento jurídico da Apib, Ricardo Terena, ressaltou que a água na região é escassa e as comunidades indígenas dependem de caminhões-pipa para abastecimento. Após a divulgação dos áudios, muitos indígenas passaram a evitar o consumo dessa água, temendo pela sua segurança. O MPF de Mato Grosso do Sul estabeleceu um prazo de 24 horas para que a prefeitura de Tacuru esclareça a veracidade dos áudios, identifique o autor das ameaças e informe quais medidas estão sendo tomadas para proteger a comunidade.

Esses eventos ressaltam a necessidade urgente de proteção dos direitos humanos das populações indígenas, especialmente em contextos de polarização política e violência. As instituições responsáveis devem agir rapidamente para garantir a segurança e o bem-estar dos Guarani Kaiowá, que enfrentam não apenas a violência física, mas também ameaças à sua sobrevivência e dignidade.

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