Montagem dirigida por Lucas Mayor parte de ensaio de Evandro Cruz Silva para refletir sobre as relações entre violência urbana, segurança pública e encarceramento da população negra
A violência urbana e suas complexas relações de poder são o foco central do espetáculo “Eu, minhas convicções e um moleque preto com arma na mão”, que será apresentado no Teatro Arthur Azevedo, em São Paulo. Com direção de Lucas Mayor e atuação de Rafael Cristiano, a peça é uma adaptação do ensaio homônimo de Evandro Cruz Silva, publicado na edição 44 da revista Serrote. As apresentações estão marcadas para os dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro, na Sala Multiuso do teatro, com ingressos custando R$ 30.
O texto, escrito em primeira pessoa, narra a experiência de assalto vivida pelo autor e explora o encontro entre o assaltante e o policial que atendeu à ocorrência. Essa abordagem permite uma reflexão sobre as diferentes perspectivas em relação à violência, questionando as estruturas sociais que moldam essas experiências. O espetáculo busca provocar o público a pensar sobre a segurança pública, a propriedade privada e o encarceramento da população negra, temas que são cada vez mais relevantes no contexto atual do Brasil.
A montagem mantém a estrutura ensaística do texto original, o que se reflete na proposta dramatúrgica. Com um cenário e figurino minimalistas, a encenação valoriza a força do texto e a atuação dos intérpretes. Além disso, a obra dialoga com o álbum “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MC’s, que serve como referência sonora e estética, trazendo à tona as marcas deixadas pela formação escravista brasileira e as intersecções entre segurança pública e as vivências da população negra.
O Grupo II, responsável pela montagem, completou dez anos de atuação contínua em 2025 e tem se destacado por sua pesquisa em torno da Forma Breve, da criação coletivizada e da centralidade dos corpos dissidentes. A temporada no Teatro Arthur Azevedo representa uma oportunidade de ampliar a circulação do espetáculo e de estabelecer um contato mais profundo com diferentes públicos, promovendo uma discussão necessária sobre temas que permeiam a sociedade brasileira.
O espetáculo não apenas entretém, mas também provoca uma reflexão crítica sobre a realidade social, buscando conscientizar o público sobre a urgência de discutir a violência e suas consequências. A escolha do Teatro Arthur Azevedo como palco para essa apresentação é significativa, uma vez que o espaço é conhecido por abrigar produções que abordam questões sociais e culturais relevantes.
SERVIÇO
Eu, minhas convicções e um moleque preto com arma na mão
Datas: 30 e 31 de outubro, às 21h; 1º de novembro, às 18h
Local: Teatro Arthur Azevedo, Sala Multiuso
Ingressos: R$ 30
Duração: 55 minutos
Direção: Lucas Mayor
Dramaturgia: Evandro Cruz Silva
Atuação: Rafael Cristiano
Iluminação: Matheus Brant
Cenografia e figurino: Lucas Mayor
Artista sonoro: Gustavo Rocha
Operação de som: Pablo Perosa
Produção: Maísa Sousa de Castro
Identidade visual: Rafael Cristiano











