O Ministério Público de São Paulo (MPSP) firmou uma parceria com a Prefeitura de São Paulo para integrar o sistema de monitoramento por câmeras, conhecido como Smart Sampa, nas investigações voltadas ao combate ao crime organizado e à violência contra as mulheres. A formalização dos acordos técnicos permitirá que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) utilize essa tecnologia para aprimorar suas ações de prevenção e repressão ao crime. A vigência do acordo é de 12 meses, com possibilidade de prorrogação.
O promotor de Justiça do GAECO, Luiz Fernando Bugiga Rebellato, destacou o potencial do Smart Sampa durante uma coletiva de imprensa. “Desde que visitamos o Smart Sampa pela primeira vez, vimos o grande potencial da estrutura que a Prefeitura de São Paulo tem implementado cada dia mais, não só na identificação de criminosos. O policiamento preventivo, o monitoramento e os deslocamentos de determinados alvos têm um potencial muito grande para aprimorar as nossas investigações”, afirmou Rebellato.
Combate à Violência de Gênero
No que diz respeito ao combate à violência de gênero, o Núcleo de Gênero do Centro de Apoio Operacional Criminal (CAOCrim) utilizará o sistema para notificar homens que estão proibidos, por meio de medidas protetivas, de se aproximarem de suas companheiras ou ex-companheiras. Essa ação será realizada em parceria com a Guarda Civil Metropolitana (GCM). Segundo informações do MPSP, cerca de 40% dos alvos dessas medidas não são encontrados para serem notificados, o que torna essa iniciativa ainda mais relevante. O convênio relacionado a essa ação terá duração de 60 meses, também com possibilidade de prorrogação.
Infraestrutura e Segurança do Sistema
A Prefeitura de São Paulo informou que a cidade conta atualmente com uma rede de 58 mil câmeras de monitoramento, com planos de expansão que incluirão mais 20 mil equipamentos. Essa infraestrutura é vista como uma ferramenta essencial para a segurança pública e para a eficácia das investigações do MPSP.
Entretanto, a parceria surge em um momento delicado, já que na semana passada foi noticiado um vazamento de informações do sistema devido a um acesso indevido por um dos operadores. A Prefeitura afirmou que o incidente foi isolado e não representa uma falha de segurança no sistema. A situação levanta questões sobre a proteção de dados e a segurança das informações geridas pelo Smart Sampa, especialmente em um contexto de uso intensivo para investigações criminais.
O uso do Smart Sampa pelo MPSP é um passo significativo na utilização de tecnologia para o combate ao crime e à violência. A expectativa é que a integração do sistema com as atividades do GAECO e do CAOCrim não apenas melhore a eficiência das investigações, mas também contribua para a proteção de vítimas de violência de gênero, um tema de crescente preocupação na sociedade.
Com a implementação dessa parceria, o MPSP e a Prefeitura de São Paulo buscam não apenas reforçar a segurança pública, mas também garantir que as medidas protetivas sejam efetivamente cumpridas, o que pode ter um impacto direto na redução da violência contra as mulheres na capital paulista.











