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Caso Beatriz Vitória: DHPP localiza corpo em cova rasa, desfaz álibi e Justiça decreta prisão preventiva de casal em Jaboticatubas

Por Fernanda Piacentini- Exposed Brasil JABOTICATUBAS (MG) — As investigações conduzidas pelo Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e pela Delegacia de Polícia Civil...

Por Fernanda Piacentini-  Exposed Brasil

JABOTICATUBAS (MG) — As investigações conduzidas pelo Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e pela Delegacia de Polícia Civil de Jaboticatubas culminaram na localização do corpo da balconista Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, encerrando uma dolorosa busca de 12 dias que mobilizou a Região Metropolitana de Belo Horizonte. O cadáver da jovem, que estava desaparecida desde a noite de 9 de outubro de 2026, foi localizado no início da tarde desta quarta-feira (21) em uma área de mata erma no loteamento de portugueses, enterrado em uma cova rasa previamente aberta pelos executores.

Diante do conjunto probatório colhido na cena do crime, aliado ao colapso dos álibis apresentados e à confissão de uma testemunha-chave, a Comarca de Jaboticatubas manteve acautelados, em sede de audiência de custódia nesta quinta-feira (22), o ex-namorado da vítima, Samuel Castro Melo, de 18 anos, e a atual companheira dele, Carla Luíza da Silva,de 23 anos. Ambos tiveram a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva e responderão por feminicídio triplamente qualificado, tortura e ocultação de cadáver.

A Construção da Emboscada e a Dinâmica do Crime

A reconstrução da linha do tempo elaborada pelas autoridades policiais indica que o crime foi minuciosamente articulado no seio de um conflito afetivo marcado por episódios prévios de violência doméstica e perturbação psicológica. Relatos de familiares apontam que Beatriz manteve um relacionamento conturbado com Samuel Castro Melo, rompi do cerca de dois meses antes do homicídio após agressões físicas no interior da residência da vítima.

Segundo a apuração das equipes de inteligência, o estopim para a empreitada criminosa deu-se com a descoberta de que Beatriz estaria no terceiro mês de gestação, atribuída ao ex-companheiro. A recusa da jovem em interromper a gravidez gerou uma escalada de hostilidades alimentada por Carla Luíza da Silva, que passou a manifestar um sentimento de posse e rivalidade obsessiva contra a ex-namorada de seu parceiro.

Na noite de 9 de outubro, o casal cooptou uma adolescente de 15 anos para atrair a vítima. Utilizando o telefone celular do próprio pai e um veículo Volkswagen Up de cor branca, Samuel deslocou-se até as imediações de um estabelecimento comercial no bairro Bom Jesus. Sob forte pressão psicológica e desconfiada da presença de terceiros no automóvel, Beatriz deixou um alerta preventivo aos amigos no local antes de ingressar no veículo. Conduzida até a zona rural de Jaboticatubas, a jovem foi submetida à execução.

“Trata-se de uma dinâmica perversa e de frio planejamento, em que a cova já se encontrava aberta dias antes da abordagem fatal, denotando a intenção deliberada de eliminar a vítima e ocultar o fato da jurisdição penal.”

— Dr. Alexandre Oliveira da Fonseca, Delegado da Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida do DHPP
 

                                                                                           Imagem: instagram

Achados Periciais, Tortura e Destruição de Provas

Os exames preliminares realizados pelo Instituto de Criminalística no local da desova atestaram contornos de extrema crueldade física e psicológica. O corpo de Beatriz Vitória foi encontrado imobilizado, com mãos e pés amarrados por arames. No perímetro imediato da cova, os peritos recolheram blocos de alvenaria e madeira com vestígios biológicos,apontados como os instrumentos contundentes utilizados para desferir golpes letais na região craniana da vítima.

A perícia forense identificou ainda o derramamento intencional de substâncias químicas de uso industrial, como soda cáustica, sobre o cadáver, em uma tentativa de acelerar a decomposição tecidual e inviabilizar a colheita de impressões papiloscópicas ou material genético. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) Dr. André Roquete, em Belo Horizonte, onde exames necroscópicos e laboratoriais complementares atestarão cientificamente a causa do óbito e confirmarão a gestação relatada pelos familiares.

Imagem: acervo

A Frieza Pós-Delito e a Quebra da Teia de Mentiras

O comportamento ostentado pelos investigados nos dias subsequentes ao homicídio causou perplexidade às equipes policiais e à comunidade local. Enquanto familiares da jovem percorriam trilhas e rodovias na esperança de encontrá-la com vida, Samuel e Carla mantiveram atividades sociais regulares, frequentando eventos noturnos, cachoeiras e encontros comunitários na região. Chegaram a comparecer à residência dos familiares de Beatriz para confrontá-los e sustentar falsos álibis.

O colapso da versão defensiva ocorreu a partir do cruzamento de imagens de sistemas de videomonitoramento do comércio local — que registraram o percurso exato do veículo utilizado no arrebatamento — e do interrogatório da adolescente de 15 anos. Confrontada na presença de seus responsáveis legais, a menor detalhou o trajeto efetuado até a área de mata e indicou o ponto exato onde a vítima havia sido sepultada.

Desdobramentos Jurídicos e Postura das Defesas

Enquanto a Polícia Civil caminha para o encerramento do inquérito policial e remessa das peças informativas ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), as representações jurídicas dos acusados adotam estratégias distintas:

  • Defesa de Carla Luíza da Silva: A advogada Dra. Tatiany Barbosa informou que sua cliente nega veementemente as acusações e optou formalmente por exercer o direito constitucional ao silêncio durante as oitivas policiais, aguardando o trâmite processual para se manifestar em Juízo.
  • Defesa de Samuel Castro Melo: A representação jurídica exercida pelo Dr. Dracon Cavalcante declarou publicamente que busca afastar a responsabilidade direta de seu cliente sobre o ato executório do homicídio,atribuindo a autoria dos golpes fatais à adolescente envolvida.
O chefe do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios, delegado Júlio Wilke, classificou o episódio como estarrecedor e reiterou o empenho das forças de segurança para que os responsáveis sejam submetidos ao Conselho de Sentença do Tribunal do Júri, respondendo com todo o rigor das penas previstas na legislação penal brasileira.

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