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Vorcaro, do Banco Master, exigiu perguntas combinadas em entrevista à CNN Brasil

Por Juliana Dal Piva e Flávio VM Costa

Vorcaro, do Banco Master, exigiu perguntas combinadas em entrevista à CNN Brasil

Por Juliana Dal Piva e Flávio VM Costa

O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e Ana Matos, responsável pelo marketing da instituição, foram acusados de solicitar à CNN Brasil a combinação de perguntas para uma entrevista que beneficiaria o banco em abril de 2025. As informações, reveladas por mensagens obtidas pelo ICL Notícias, indicam que o Banco Master mantinha um contrato de patrocínio de R$ 10 milhões anuais com a emissora, o que levantou questões sobre a ética na relação entre anunciantes e a cobertura jornalística.

Durante as conversas, Vorcaro e Matos discutiram a necessidade de alinhar as perguntas da entrevista, especialmente após a divulgação de um balanço que não foi bem recebido pelo mercado. Em uma mensagem, Vorcaro expressou a intenção de se apresentar na CNN para discutir o desempenho do banco, ao que Matos respondeu que era fundamental combinar as perguntas com antecedência. “Tudo combinado. 100%”, afirmou ela, sugerindo que a equipe do banco deveria ter controle sobre o que seria abordado na entrevista.

A CNN Brasil, em resposta às alegações, negou que Vorcaro tenha sido sócio da emissora ou do projeto CNN Money, afirmando que a relação entre o banco e a emissora se limitava a contratos publicitários. A emissora reiterou seu compromisso com a independência editorial e a separação entre as áreas comercial e jornalística, embora as mensagens trocadas entre Vorcaro e Matos levantem dúvidas sobre essa separação.

Pressão e Patrocínios

As mensagens revelam que a pressão por patrocínios era uma constante nas interações entre os executivos do Banco Master e a CNN. Em uma troca de mensagens, Matos expressou sua frustração com os constantes pedidos de dinheiro feitos pela emissora, descrevendo-a como “outro saco sem fundo de querer grana”. O diálogo também menciona um pedido de R$ 4 milhões para o evento “CNN Talks”, que acabou sendo negociado por um valor menor, R$ 1 milhão.

Além disso, a comunicação entre Vorcaro e Matos revela uma preocupação com a imagem do banco e a forma como as notícias eram veiculadas. Após a compra de 58% do Banco Master pelo BRB, Vorcaro estava preocupado com reportagens que poderiam prejudicar a reputação do banco. Ele decidiu que Paulo Gala, economista-chefe do Master, seria o porta-voz na entrevista, em vez dele próprio, para evitar exposição negativa.

Consequências e Desdobramentos

A relação entre o Banco Master e a CNN Brasil culminou em um cenário de crise, com a liquidação extrajudicial do banco decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, após a rejeição da compra pelo BRB. A situação de Vorcaro se agravou com sua prisão em março de 2026, enquanto tentava negociar um acordo de delação premiada com as autoridades.

A CNN Brasil, por sua vez, continua a enfrentar questionamentos sobre a ética de suas práticas comerciais e a independência de sua cobertura jornalística. A emissora se comprometeu a manter a transparência e a separação entre suas áreas comercial e editorial, mas a revelação das mensagens entre Vorcaro e Matos levanta preocupações sobre a influência de anunciantes nas decisões editoriais.

O caso do Banco Master e sua relação com a CNN Brasil serve como um alerta sobre a necessidade de maior vigilância e regulamentação nas interações entre mídia e anunciantes, especialmente em um contexto onde a credibilidade da informação é cada vez mais crucial para o público.

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