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Jornalistas enfrentam 14 mil ataques nas redes sociais durante o 1º turno eleitoral

No primeiro turno das eleições de 2026, entre 16 de agosto e 4 de outubro, jornalistas e veículos de imprensa foram alvos de 14.182 ataques nas redes sociais...

Jornalistas enfrentam 14 mil ataques nas redes sociais durante o 1º turno eleitoral

No primeiro turno das eleições de 2026, entre 16 de agosto e 4 de outubro, jornalistas e veículos de imprensa foram alvos de 14.182 ataques nas redes sociais, o que representa uma média de 283 ataques diários. Esses ataques, que se concentraram nas plataformas X e Instagram, tiveram um aumento significativo na última semana antes das eleições, alcançando uma média de 327 ataques por dia.

O relatório Cobrir as eleições, enfrentar a violência: uma análise dos ataques à imprensa no primeiro turno de 2026, elaborado pela Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) em parceria com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), revela um cenário alarmante para a liberdade de imprensa no Brasil.

A análise indica que as jornalistas mulheres foram as mais afetadas, representando 64,8% dos ataques direcionados a profissionais individuais. O estudo registrou 2.013 agressões contra mulheres jornalistas, entre os 3.106 ataques contabilizados nessa categoria. Além de críticas ao trabalho, as mensagens incluíram insultos sexuais e ofensas misóginas, evidenciando um padrão de violência de gênero no ambiente digital.

“Vemos uma enxurrada de ataques digitais com o intuito de descredibilizar e, muitas vezes, intimidar o trabalho de jornalistas nas redes sociais”, afirma Leticia Kleim, coordenadora jurídica da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Ela destaca que essa situação não afeta apenas as vítimas diretas, mas gera um prejuízo coletivo à sociedade, ao tentar silenciar jornalistas que desempenham um papel vital na democracia, especialmente em períodos eleitorais.

Aumento dos ataques digitais

O relatório revela que foram analisados 3,7 milhões de conteúdos digitais durante 50 dias, monitorando 652 termos e hashtags ofensivos relacionados às eleições. Os dados mostram um crescimento acentuado nas ofensas à medida que o dia das eleições se aproximava, com os registros saltando de 2.630 casos na primeira quinzena para 4.400 na segunda, um aumento de 67,3%. Na última semana, o número de ataques cresceu mais 3,1%, totalizando 4.537 ocorrências.

As mensagens de ataque não apenas desacreditavam informações específicas, mas também visavam os próprios jornalistas e veículos de comunicação. Termos como “fake news”, “jornalista militante” e “imprensa golpista” foram frequentemente utilizados nas postagens analisadas, refletindo uma estratégia de deslegitimação da imprensa.

Impacto na segurança da imprensa

A disputa presidencial foi o contexto de quase 80% dos ataques identificados. O relatório destaca que muitos profissionais enfrentaram situações concretas de violência, como ofensas misóginas e ameaças, além de pressões editoriais que comprometeram sua segurança. A violência digital, segundo o documento, pode ser uma forma de intimidação, com sérias consequências para a segurança dos jornalistas e a circulação de informações de interesse público.

A Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), que reúne onze organizações de imprensa, incluindo a Abraji, a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e Repórteres sem Fronteiras, ressalta a necessidade urgente de proteger os profissionais da imprensa e garantir um ambiente seguro para a cobertura jornalística, especialmente em tempos de eleições, quando a informação é crucial para o exercício da democracia.

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