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Nove por cento dos professores brasileiros da educação básica não têm qualificação completa, aponta OCDE.

Um relatório recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que 9% dos professores da educação básica pública no Brasil não possuem qualificação completa, um percentual...

Nove por cento dos professores brasileiros da educação básica não têm qualificação completa, aponta OCDE.

Um relatório recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que 9% dos professores da educação básica pública no Brasil não possuem qualificação completa, um percentual que se aproxima da média de 9,1% dos países membros da organização. Essa situação é preocupante, pois inclui professores sem diploma, certificação ou formação pedagógica adequada.

O Panorama da Educação 2026 (Education at a Glance) destaca que a contratação de docentes sem as qualificações necessárias é frequentemente uma resposta à escassez de profissionais qualificados. O relatório analisa as causas dessa falta de professores e os impactos que isso gera nos sistemas educacionais, enfatizando que a situação é mais crítica em regiões remotas e em disciplinas como matemática e ciências naturais.

O papel do professor na aprendizagem

Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco, ressaltou a importância do professor no processo de aprendizagem, afirmando que “é ele quem percebe onde cada estudante encontra dificuldades, adapta o ensino e ajuda a transformar conhecimento em possibilidades de vida”. Essa afirmação sublinha a necessidade de valorizar a profissão docente como uma escolha crucial para o futuro do Brasil.

Crescimento do número de professores

Apesar da redução no número de estudantes, o Brasil conseguiu aumentar o número de professores nos anos iniciais do ensino fundamental em 4% entre 2015 e 2024, mesmo com uma queda de 7% nas matrículas. Em contraste, os países da OCDE registraram um aumento médio de 13% no número de professores, enquanto o número de alunos cresceu apenas 2% no mesmo período.

A OCDE projeta que a população de crianças de 5 a 14 anos no Brasil deve diminuir em 3% entre 2024 e 2033, o que, se outras políticas não forem alteradas, pode reduzir ainda mais a demanda por professores nas escolas.

Desafios na permanência dos professores

Henriques também destacou que a análise da situação docente não deve se restringir ao número de professores formados, mas deve incluir aspectos como a formação recebida, a disciplina que ensinam, o local de atuação e a permanência na profissão. O relatório indica que 10,3% dos professores plenamente qualificados deixaram a profissão em 2022, seja por aposentadoria ou demissão, enquanto a média na OCDE foi de 6,4% no ano letivo de 2024-2025.

Embora parte desses profissionais possa ter migrado para escolas privadas, a taxa de saída representa um desafio significativo para a retenção de professores nas redes públicas de ensino.

Salários e condições de trabalho

A OCDE aponta que fatores como salários, condições de trabalho e o relacionamento com estudantes e famílias são determinantes para a atratividade da carreira docente. No Brasil, apenas 44,3% dos professores dos anos finais do ensino fundamental estavam satisfeitos com suas condições de trabalho em 2022, enquanto a média da OCDE era de 68,4%. Em relação aos salários, a satisfação foi de 22,3% entre os docentes brasileiros, em comparação com 38,7% na média dos países da organização.

O Ministério da Educação (MEC) afirma que está comprometido com a valorização salarial dos professores, destacando o Piso Nacional do Magistério, atualmente fixado em R$ 5.130,63.

Iniciativas para atrair e formar professores

Em resposta à escassez de professores, o MEC lançou o programa Mais Professores para o Brasil em 2025, que visa valorizar a carreira docente. Outra iniciativa, o Pé-de-Meia Licenciaturas, tem como objetivo atrair estudantes para os cursos de formação de professores. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que o programa resultou em um aumento de 106% nas matrículas de estudantes de alto desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em cursos de licenciatura entre 2024 e 2026.

Além disso, o MEC menciona o acompanhamento anual da qualidade dos cursos de licenciatura por meio do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), o fortalecimento do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) e a reformulação da formação inicial como medidas importantes para melhorar a qualidade do ensino.

Profissionais de segunda carreira na docência

A OCDE sugere que a entrada de profissionais que já atuaram em outras áreas pode ser uma estratégia eficaz para enfrentar a escassez de professores. No Brasil, 11,5% dos docentes dos anos finais do ensino fundamental estavam em uma segunda carreira em 2024, superando a média de 8,4% entre os países da OCDE.

O Panorama da Educação é uma publicação anual da OCDE que reúne indicadores para comparar os sistemas educacionais dos países participantes. O Brasil participa dessa análise desde 1997, com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) responsável pela coleta e tratamento dos dados.

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