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O Altar dos 76 Anos da TV: Cissa Guimarães reúne os gigantes Boni, Boninho, Lilia Cabral e Fernando Caruso no Sem Censura

O olhar meticuloso do diretor Bruno Barros e a vivacidade de Cissa Guimarães reúnem a realeza do audiovisual nos 76 anos da TV brasileira; Boni, Boninho, Lilia Cabral e Fernando...

EXPOSED BRASIL

Rio de Janeiro, 19 de setembro de 2026

COLUNA DENILSON ANDRADE

Por Denilson Andrade, Colunista de TV, Arte, Cultura e Celebridades, e Produtor Audiovisual

A Epopeia da Tela de Vidro: O Altar dos 76 Anos da TV e o Banquete Sagrado do Sem Censura

Confesso-me um devoto incurável deste eletrodoméstico que moldou a alma do Brasil. Para quem, como eu, transita entre as trincheiras pragmáticas da produção audiovisual e o exercício diário da crônica cultural, assistir à televisão não é mero consumo passivo; é um ritual litúrgico. E ontem, a celebração dos 76 anos da nossa TV oficializou seu mais belo sínodo na reinvenção do clássico Sem Censura, na TV Brasil. Uma tarde que, francamente, oscilou entre a erudição enciclopédica e o mais delicioso bastidor de salão.
A engrenagem por trás desse feito monumental atende pelo nome de Bruno Barros. É preciso parabenizar publicamente o diretor, que opera com uma visão verdadeiramente estratégica e de vanguarda. Bruno transformou o programa em um autêntico baluarte da memória audiovisual, transformando a telinha em um espaço permanente de reflexão sobre esse universo fascinante. Ao reunir um time dessa magnitude, ele reafirma seu compromisso de trazer à luz os gigantes e pioneiros que construíram e que, incansavelmente, ainda fazem a engrenagem televisiva acontecer.
Sob essa batuta meticulosa, Cissa Guimarães, com aquela vivacidade cativante que flerta com o vanguardismo sem perder o despojo informal, armou uma daquelas rodas que justificam o Prêmio APCA que ostenta na parede. Sentar à mesma mesa o patriarca Boni e o herdeiro dos blockbusters modernos, Boninho, ladeados pela imponente Lilia Cabral, não foi apenas um golpe de mestre na audiência; foi arqueologia viva do entretenimento de massa.
O velho e indomável Boni, cujo discernimento cirúrgico construiu o império estético que consumimos até hoje, não se esquivou de sua costumeira argúcia contundente. Num diagnóstico quase pernosticó, porém dolorosamente lúcido, fustigou a atual tibieza das grandes redes diante do “politicamente correto” e dos linchamentos digitais. “Nós nos acovardamos diante da dificuldade de produzir humor”, disparou o mestre, clamando por um resgate imediato da comédia na TV aberta, enquanto o filho, em simbiose sagaz, assentia e apontava os desafios hercúleos de se arriscar em tempos algorítmicos. É a dialética perfeita entre o criador do “padrão” e o executor do reality de massa.
No vértice oposto desse triângulo de brilhantismo, Lilia Cabral ofereceu o contrapeso poético. Aos 48 anos de uma estrada pavimentada por vilãs prepotentes e heroínas populares, de Marta a Griselda, Lilia trouxe a sofisticação da autêntica artesã da atuação. Sob o olhar atento do debatedor Fernando Caruso, ela costurou memórias afetivas com a promoção de seu atual flerte teatral, o monólogo em homenagem a Rita Lee. E, num lampejo de deliciosa ironia fina, tentou intimar Boni a assistir às novidades da ficção atual, apenas para ouvir do ex-poderoso a confissão de que sua mulher não o deixa ver TV em casa. Rimos todos, cúmplices da solene humanização dos mitos.
Como produtor, observo: a TV não morreu; ela apenas se liquefez nas telas paralelas de um Admirável Mundo Novo. Como colunista, sigo incorruptível em minha veneração. Viva a herança da Tupi, viva o Olimpo criado por Boni, parabéns ao brilhantismo de Bruno Barros e viva a resistência inteligente que o Sem Censura opera nas nossas tardes. A história foi escrita ontem. Nós apenas a guardamos no relicário da crítica refinada.
 

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