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Café tem preços em queda com aumento da oferta global, mas El Niño limita perdas

O preço do café apresentou queda em agosto, influenciado por uma oferta global mais favorável, apesar de estoques baixos e a ameaça do El Niño.

Café tem preços em queda com aumento da oferta global, mas El Niño limita perdas

Previa: O preço do café apresentou queda em agosto, influenciado por uma oferta global mais favorável, apesar de estoques baixos e a ameaça do El Niño. O mercado se ajusta a novas realidades, refletindo a volatilidade típica do setor.

As cotações internacionais do café encerraram agosto em queda, revertendo a valorização observada em julho. O mercado começou a considerar uma oferta global mais confortável nos próximos meses, o que pressionou os contratos do arábica na Bolsa de Nova York e do robusta em Londres.

A volatilidade foi uma constante durante o mês. O aumento dos embarques brasileiros e a chegada de café aos armazéns, somados à proximidade da nova safra do Vietnã, reforçaram as expectativas de maior disponibilidade mundial. No entanto, os baixos estoques certificados e os possíveis efeitos do El Niño limitaram a intensidade das perdas.

Desempenho dos contratos de café

Na Bolsa de Nova York, o contrato de café arábica com vencimento em dezembro alcançou 345,65 centavos de dólar por libra-peso em 25 de agosto, o maior preço em oito meses. Contudo, essa alta foi seguida por uma correção acentuada, resultando em uma desvalorização de 1% ao final do mês.

Em Londres, o café robusta teve uma queda ainda mais significativa, recuando 6,5% em agosto. Esse movimento foi impulsionado pelas expectativas de aumento da oferta asiática, refletindo um cenário de pressão sobre os preços.

Os fundos de investimento também desempenharam um papel importante na volatilidade das bolsas. A presença expressiva desses investidores, aliada à mudança nos contratos de referência, fez com que as cotações em Nova York subissem mais rapidamente do que no mercado físico, criando um descolamento que deixou os contratos vulneráveis a correções.

Expectativas para a safra e o mercado

A safra brasileira, considerada volumosa, contribuiu para a pressão sobre os preços do café. O aumento no fluxo interno e a maior chegada de café aos armazéns reforçaram a percepção de uma produção elevada, especialmente de arábica. Esse cenário fez com que as preocupações iniciais sobre a oferta limitada perdessem força.

Além disso, o Vietnã, um dos principais produtores de café robusta, também ampliou suas exportações, o que fortaleceu as projeções de crescimento da oferta global. A combinação da safra brasileira e a expectativa de maior disponibilidade vietnamita criaram um ambiente mais favorável aos compradores, reforçando a tendência de baixa no mercado internacional.

Apesar da melhora na oferta, os estoques certificados permanecem em níveis baixos, o que pode limitar quedas mais acentuadas nos preços. A expectativa é de que o Brasil continue com baixo interesse em certificar café nas bolsas, o que pode manter a vulnerabilidade do mercado a interrupções no abastecimento.

Por fim, os possíveis efeitos do El Niño sobre a próxima safra mundial continuam a ser uma preocupação. Alterações climáticas podem impactar o desenvolvimento das lavouras, mantendo um prêmio de risco nas cotações. Assim, o mercado do café deve seguir em um cenário de volatilidade, reagindo rapidamente a novas informações sobre clima, exportações e comportamento dos fundos de investimento.

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