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Iniciativa em Roraima une tecnologia e comunidade para conservar 14 mil hectares de floresta

Em Caracaraí, Roraima, um projeto inovador une tecnologia e ações sociais para preservar 14 mil hectares de floresta, oferecendo uma alternativa sustentável ao desmatamento e contribuindo para o mercado...

Iniciativa em Roraima une tecnologia e comunidade para conservar 14 mil hectares de floresta

Previa: Em Caracaraí, Roraima, um projeto inovador une tecnologia e ações sociais para preservar 14 mil hectares de floresta, oferecendo uma alternativa sustentável ao desmatamento e contribuindo para o mercado de carbono.

No município de Caracaraí, em Roraima, um novo modelo de conservação florestal está sendo implementado, combinando inovação tecnológica e ações socioambientais. A iniciativa, liderada pela empresa paulista ZEG (Zero Emission Goal), busca garantir a longevidade e a competitividade no mercado de carbono, em uma área de 14 mil hectares que ainda mantém vegetação nativa, ameaçada pelo desmatamento legal.

O desmatamento é uma das principais fontes de emissão de gases do efeito estufa no Brasil, contribuindo para o aquecimento global e as mudanças climáticas. O diretor-presidente da ZEG, Carlos Jacob, explica que a área em questão pertence a um produtor rural de soja de Goiás, que havia solicitado autorização para desmatamento legal. A legislação permite que, em Roraima, a reserva legal do bioma amazônico seja reduzida para 50% em propriedades privadas, desde que haja um zoneamento ecológico-econômico.

Modelo de Conservação Inovador

A proposta da ZEG ao produtor rural incluiu investimentos em tecnologia de monitoramento e prevenção de incêndios, além de um programa socioambiental voltado para as comunidades locais que coletam castanha-do-Pará. Com a aprovação do proprietário, foi realizado um trabalho de segurança jurídica para garantir a posse da área, e o direito real da superfície foi cedido por 40 anos para a comercialização dos estoques de carbono.

Jacob destaca que essa iniciativa é crucial para restaurar a credibilidade no mercado de conservação, que enfrentou um colapso entre 2021 e 2023 devido a práticas inadequadas, como a superestimação de números de mitigação e a comercialização de estoques em áreas sobrepostas a terras públicas.

Prevenção de Incêndios e Capacitação Comunitária

Uma torre de 60 metros foi instalada na área de conservação, equipada com um sistema de monitoramento que detecta focos de incêndio rapidamente. O coordenador de operações da ZEG, Cineone Silva, explica que a tecnologia permite identificar incêndios em até três minutos, possibilitando uma resposta rápida da equipe no local.

Além disso, a equipe local, composta por 20 pessoas, recebeu treinamento em combate a incêndios. As comunidades vizinhas também foram capacitadas, fortalecendo a prevenção de incêndios na região e promovendo uma colaboração mais ampla.

Impacto na Comunidade Local

A conservação da área beneficiou cerca de 36 famílias que dependem da coleta da castanha-do-Pará. Moradores como João Inácio Neto, que cresceu na região, expressam preocupação com o avanço do agronegócio, mas agora veem uma alternativa viável com o projeto de conservação.

A parceria com a comunidade resultou na formação da Associação Agroextrativista do Município de Caracaraí (Agrocar), permitindo que as famílias trabalhem juntas para obter melhores preços na venda da castanha. A extrativista Eliane de Sena ressalta que a organização coletiva trouxe melhorias significativas em comparação com a venda direta para atravessadores.

Investimentos e Certificação

O projeto recebeu um investimento total de R$ 20 milhões, incluindo a certificação dos estoques de carbono. Jacob menciona que a certificação é realizada pela Verra e auditada pela Earthwood, garantindo a qualidade do projeto.

Embora o estoque de carbono ainda não tenha sido comercializado, a iniciativa já conquistou uma classificação AA pela agência BeZero, sendo a primeira nota dupla A de um projeto de carbono na Amazônia e a primeira do mundo para um projeto de desmatamento evitado.

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