Previa: O Porto de Paranaguá se prepara para aumentar sua capacidade de exportação de feijão e outras commodities, em resposta ao crescimento da demanda global. A estratégia envolve melhorias na infraestrutura e integração entre os agentes da cadeia produtiva.
O setor portuário de Paranaguá está em busca de novas estratégias para atender ao aumento projetado das exportações brasileiras de feijão, gergelim e outras commodities agrícolas. A discussão ganhou destaque após um encontro promovido pela TCP, responsável pela administração do Terminal de Contêineres de Paranaguá, em parceria com o Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (IBRAFE).
Realizado no dia 11 de agosto, o evento reuniu mais de 30 representantes de empresas e terminais da retroárea portuária, além de integrantes do IBRAFE e da Prefeitura de Paranaguá. O foco foi avaliar as oportunidades de expansão e os desafios de infraestrutura para atender ao aumento esperado na demanda por capacidade de exportação.
Paranaguá como polo de exportação
O Porto de Paranaguá tem se consolidado como um ponto estratégico na logística de exportação de produtos agrícolas brasileiros, especialmente no segmento de feijão e pulses. Em 2025, o terminal movimentou cerca de 387 mil toneladas de feijão destinadas ao mercado externo, representando aproximadamente 74% das exportações brasileiras do produto.
Esse desempenho reforça a importância do complexo portuário paranaense no comércio internacional de alimentos e destaca a necessidade de investimentos em armazenagem, terminais e serviços logísticos na retroárea.
Mercados em expansão
Durante a reunião, os participantes discutiram as perspectivas de crescimento das exportações e a necessidade de preparar a estrutura logística para uma eventual expansão das vendas internacionais. China e Europa foram identificadas como mercados com grande potencial para o avanço da presença brasileira no comércio global de feijão e gergelim.
A avaliação é de que o aumento das exportações exigirá uma estrutura retroportuária capaz de acompanhar o ritmo de crescimento da demanda, minimizando gargalos e garantindo maior eficiência nas operações.
Integração como chave para o sucesso
Fabio Mattos, gerente comercial da TCP, enfatizou que a integração entre os diferentes agentes da cadeia será crucial para que Paranaguá aproveite as oportunidades de crescimento. O encontro teve como objetivo aproximar empresas e terminais, permitindo a identificação de desafios e a construção de soluções para preparar a infraestrutura para os próximos anos.
A estratégia envolve não apenas a ampliação da capacidade física, mas também o alinhamento entre operadores e empresas para otimizar o fluxo de exportação.
Potencial de crescimento do Brasil
Eduardo Balestreri, diretor do IBRAFE e COO da Arbaza, destacou que o Brasil ainda possui uma participação reduzida no comércio internacional de feijão e gergelim, representando cerca de 5% do volume importado mundialmente. Isso indica um espaço significativo para crescimento nas exportações.
Balestreri ressaltou os diferenciais de Paranaguá, como a estrutura portuária e retroportuária, a disponibilidade de mão de obra especializada e a qualidade das operações, que podem impulsionar o avanço das exportações.
Ações conjuntas para aumentar a produtividade
A Prefeitura de Paranaguá também participou das discussões, com o secretário municipal de Expansão Industrial e Portuária, Luiz Augusto Pellegrini de Carvalho, defendendo uma maior integração entre os terminais e os demais integrantes da comunidade portuária. A proposta é buscar soluções conjuntas para aumentar a produtividade e atrair novos investimentos.
A atuação coordenada entre poder público, terminais, operadores e empresas é considerada essencial para fortalecer a competitividade de Paranaguá no comércio exterior.
Infraestrutura como fator decisivo
O encontro entre TCP, IBRAFE e representantes da retroárea reforça uma tendência importante para o agronegócio brasileiro: o crescimento da produção e das exportações deve ser acompanhado pela expansão da infraestrutura logística. Com novas oportunidades no mercado internacional, Paranaguá busca se antecipar a possíveis gargalos e criar condições para ampliar sua participação no comércio global.
A expectativa é que a integração entre os diferentes agentes da cadeia portuária contribua para direcionar investimentos, melhorar a eficiência operacional e consolidar o Paraná como um dos principais corredores de exportação do agronegócio brasileiro.











