Previa: Ashley Callingbull, a primeira mulher das Primeiras Nações a ser coroada Miss Universo Canadá, revelou que recebeu ameaças de morte após interromper o concurso para denunciar apropriação cultural. Sua atitude gerou reações polarizadas e levantou questões sobre respeito às tradições indígenas.
A recente edição do Miss Universo Canadá 2026 trouxe à tona uma controvérsia significativa quando Ashley Callingbull, em um gesto de coragem, interrompeu o evento para abordar a apropriação cultural. A modelo, que se destacou como a primeira representante indígena a conquistar o título, revelou que essa decisão resultou em ameaças de morte e ataques virtuais.
Durante uma entrevista à revista PEOPLE, Callingbull, de 36 anos, compartilhou como se sentiu compelida a agir após observar que algumas concorrentes usavam trajes que incorporavam elementos da cultura indígena sem o devido respeito. “Parecia um tapa na cara da comunidade indígena”, afirmou, enfatizando a necessidade de um diálogo mais profundo sobre a representação cultural.
Repercussão e medidas de conscientização
Após a manifestação, a organização do concurso emitiu um comunicado reconhecendo o episódio e expressando gratidão a Callingbull por sua orientação. O Miss Universo Canadá anunciou a implementação de um Guia de Fantasias, que estabelecerá diretrizes claras para evitar futuras apropriações culturais.
As candidatas envolvidas, Karisa Haverkamp e Jasleen Kaily, também se desculparam publicamente. Haverkamp, inclusive, fez um pedido de desculpas direto a Callingbull após a competição. Apesar das desculpas, a modelo continua a sentir a necessidade de se manifestar, afirmando que “ações falam mais alto que palavras”.
O momento em que Callingbull decidiu falar foi inesperado. Durante a transmissão ao vivo, uma falha técnica no teleprompter permitiu que ela improvisasse e abordasse a questão da apropriação cultural. “Queria que a comunidade indígena ouvisse”, explicou, ressaltando a importância de usar sua plataforma para promover a conscientização.
Desafios e esperança de mudança
Após o evento, Ashley enfrentou uma onda de ataques racistas e ameaças, mas se mostrou resiliente. “Acho que precisamos nos manifestar”, disse, refletindo sobre a necessidade de diálogo e educação sobre as culturas indígenas. Ela acredita que sua mensagem é mais importante do que as críticas recebidas.
Callingbull espera que a polêmica leve a mudanças concretas no concurso, como um processo mais rigoroso de verificação dos trajes apresentados e a criação de um mediador cultural. “Fico feliz que as pessoas finalmente estejam ouvindo”, concluiu, destacando a importância de aprender e respeitar as diversas culturas.











