Previa: A redução da vegetação nativa no Brasil para 65% do território expõe o país a maiores riscos climáticos, especialmente durante eventos de El Niño. O estudo do MapBiomas revela a relação entre a perda de florestas e a intensificação de secas e chuvas extremas.
Um novo estudo do MapBiomas, divulgado em 12 de agosto de 2026, revela que a vegetação nativa no Brasil caiu para 65% do território ao longo de 41 anos. Essa diminuição acentua a vulnerabilidade do país a fenômenos climáticos extremos, como o El Niño, que afeta diretamente a agricultura e a qualidade de vida das populações.
Os dados, que abrangem o período de 1985 a 2025, foram obtidos a partir de um mapeamento detalhado que considera 33 classes de cobertura da terra. A análise não apenas mostra a redução da vegetação, mas também relaciona essa perda com eventos climáticos extremos, como secas severas e chuvas intensas, especialmente nos trimestres de setembro a novembro durante os anos de El Niño.
Impacto por bioma
A Amazônia, um dos biomas mais afetados, sofreu um déficit significativo de chuvas durante os três eventos de El Niño analisados. No último fenômeno, que ocorreu em 2023/2024, as áreas de agropecuária registraram uma queda de 178 milímetros na precipitação, impactando diretamente a produção agrícola.
O Pantanal também enfrentou sérios problemas, registrando o ano mais seco da série histórica em 2024. No Cerrado e na parte norte da Mata Atlântica, a intensificação da seca foi uma constante a cada novo evento de El Niño, afetando especialmente as áreas de vegetação nativa.
Por outro lado, o bioma Pampa experimentou um excesso de chuvas, o que também trouxe desafios para as atividades agropecuárias. Essa diversidade de impactos evidencia a complexidade das interações entre mudanças climáticas e uso da terra no Brasil.
Vegetação em declínio
Desde 1985, a vegetação nativa do Brasil perdeu 14% de sua cobertura, com as florestas sendo as mais afetadas. A formação florestal perdeu 65 milhões de hectares, enquanto as formações savânicas e campos alagados também sofreram reduções significativas. Proporcionalmente, as savanas perderam 30% de sua área total.
Apesar das perdas, 557 milhões de hectares mantiveram a mesma classe de cobertura ao longo do período. A maioria dessas áreas corresponde a florestas que foram preservadas, o que demonstra que ainda há espaço para a conservação e recuperação ambiental.
Atividades humanas e seus efeitos
A agropecuária se tornou a principal ocupante do território brasileiro, representando 32% da área em 2025, um aumento significativo em relação aos 18% de 1985. Essa expansão ocorreu principalmente em áreas que antes eram cobertas por vegetação nativa, especialmente na Amazônia e no Cerrado.
O crescimento da pastagem e da agricultura, que ocuparam 61,6 milhões e 48 milhões de hectares, respectivamente, destaca a pressão que as atividades humanas exercem sobre os biomas brasileiros. Essa transformação do uso da terra tem implicações diretas na biodiversidade e na resiliência dos ecossistemas.
Desafios regionais
Entre 1985 e 2025, 25 dos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal apresentaram redução na vegetação nativa. Rondônia, Maranhão, Mato Grosso e Tocantins foram os estados que mais perderam cobertura verde, com quedas alarmantes que variam de 90% a 92% em suas áreas de vegetação nativa.
O único estado que conseguiu recuperar parte de sua vegetação nativa foi o Rio de Janeiro, que aumentou sua cobertura verde em 1%. Essa recuperação, embora modesta, indica que esforços de conservação podem ter resultados positivos em determinadas regiões.
Novidades no mapeamento
Uma inovação no estudo do MapBiomas foi o mapeamento das marismas, áreas pantanosas que foram registradas pela primeira vez. Em 2025, foram identificados 6,9 mil hectares de marismas no bioma Pampa, que desempenham um papel crucial na biodiversidade e na regulação hídrica.
Essas áreas, que abrigam vegetações herbáceas adaptadas à água salobra, são fundamentais para a saúde dos ecossistemas estuarinos. O mapeamento dessas regiões é um passo importante para a conservação e gestão sustentável dos recursos naturais no Brasil.











