Previa: O mercado de trigo no Brasil apresenta oscilações significativas em agosto, com o Paraná mantendo preços firmes devido à demanda por farinhas de qualidade, enquanto o Rio Grande do Sul enfrenta queda nas cotações. Santa Catarina, por sua vez, continua com um mercado travado, refletindo a baixa liquidez.
O cenário do trigo na Região Sul do Brasil se mostra diversificado neste início de agosto. Enquanto o Paraná se destaca com preços estáveis, impulsionados pela demanda por farinhas de alta qualidade, o Rio Grande do Sul observa uma queda nas cotações devido à acomodação da demanda e ao término das compras por parte dos moinhos. Santa Catarina, por outro lado, enfrenta um mercado lento, com dificuldades na comercialização do produto.
Queda nos preços do trigo no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, os preços do trigo recuaram 0,77% na última semana, conforme dados do Cepea. Essa retração é resultado do término das compras por parte dos moinhos, que já formaram estoques suficientes para atender à demanda até novembro. As negociações para retirada em agosto estão em torno de R$ 1.300 por tonelada, enquanto o trigo melhorador alcança cerca de R$ 1.350 por tonelada.
Além disso, o trigo argentino nacionalizado teve uma valorização de 6,2%, atingindo US$ 292 por tonelada em Canoas. Esse movimento é influenciado pelo cenário internacional e pelos custos de importação. O mercado também enfrenta reclamações sobre lotes gaúchos com altos níveis de DON, uma micotoxina que compromete a qualidade do cereal.
Comercialização da nova safra no Rio Grande do Sul
A comercialização da nova safra 2026/27 no Rio Grande do Sul está aquém do esperado, com apenas 60 mil toneladas negociadas até o momento, menos da metade do volume registrado no mesmo período do ano anterior. A cautela dos produtores é atribuída às incertezas climáticas trazidas pelo fenômeno El Niño, que pode afetar a produtividade e a qualidade da produção.
No porto, as indicações para entrega em dezembro permanecem em torno de R$ 1.250 por tonelada, refletindo a expectativa de mercado em relação à nova safra.
Mercado travado em Santa Catarina
Em Santa Catarina, o cenário é de baixa liquidez. Os moinhos estão abastecidos, mas operam com moagem reduzida e enfrentam dificuldades para aumentar as vendas de farinha. As negociações do trigo destinado à panificação variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, com os preços pagos aos produtores apresentando oscilações regionais.
O plantio da nova safra ainda está em fase inicial, o que contribui para a lentidão do mercado.
Preços firmes no Paraná
O Paraná se destaca ao manter preços firmes, impulsionados pela demanda por farinhas de melhor desempenho industrial. As negociações para entrega aos moinhos em Curitiba chegaram a R$ 1.450 por tonelada CIF, enquanto no Norte do estado, os preços podem chegar a R$ 1.550 por tonelada.
Para a nova safra, as referências variam entre R$ 1.400 e R$ 1.420 por tonelada, embora ainda não tenham sido registrados negócios significativos.
Importações e perspectivas futuras
Apesar do aumento na produção nacional, especialistas apontam que o Brasil continuará dependente de trigo importado nos próximos anos. As projeções indicam a necessidade de importar cerca de 1,5 milhão de toneladas em 2027, principalmente para atender à demanda da indústria moageira por trigo de qualidade superior.
Esse cenário mantém o mercado atento às flutuações dos preços internacionais, ao câmbio e à oferta da Argentina, que é a principal fornecedora de trigo ao Brasil.
Nos próximos meses, o mercado de trigo deverá continuar sensível às condições climáticas e ao comportamento da demanda da indústria de moagem. Enquanto o Paraná se beneficia da procura por farinhas especiais, o Rio Grande do Sul e Santa Catarina podem enfrentar desafios até que a qualidade da safra e a necessidade de reposição de estoques sejam definidas.











