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Safra de trigo deve cair 23,5% em 2026 e pressiona preços de alimentos no Brasil

A previsão de queda de 23,5% na safra de trigo em 2026 gera preocupações na indústria alimentícia brasileira, que pode enfrentar aumento nos preços e dependência de importações.

Safra de trigo deve cair 23,5% em 2026 e pressiona preços de alimentos no Brasil

Previa: A previsão de queda de 23,5% na safra de trigo em 2026 gera preocupações na indústria alimentícia brasileira, que pode enfrentar aumento nos preços e dependência de importações. A situação exige atenção redobrada devido a fatores climáticos e geopolíticos.

A expectativa de uma significativa redução na produção de trigo no Brasil em 2026 acendeu um alerta em toda a cadeia produtiva do cereal. A combinação de menor oferta interna e a necessidade de aumentar as importações pode pressionar os preços de produtos essenciais como pães, massas e biscoitos. A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) está monitorando de perto essa situação, que se torna mais complexa devido a incertezas climáticas e geopolíticas.

Desafios da safra de trigo em 2026

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de trigo deve cair 23,5% em comparação ao ano anterior. Essa diminuição está ligada à redução da área cultivada e a fatores climáticos adversos, especialmente no Rio Grande do Sul, que é o principal estado produtor do cereal. O excesso de chuvas durante o ciclo da cultura levanta preocupações sobre a produtividade e a qualidade dos grãos.

Com essa perspectiva, a Conab estima que o Brasil precisará importar cerca de 1,9 milhão de toneladas de trigo em 2027, aumentando a dependência do mercado externo para suprir o consumo interno. Apesar de avanços na produção nos últimos anos, o país ainda não alcançou a autossuficiência no cultivo do cereal.

Impactos das importações e do cenário internacional

A dependência das importações torna o Brasil vulnerável a oscilações no mercado internacional. A maior parte do trigo consumido no país é importada, principalmente da Argentina. Segundo Rubens Barbosa, presidente-executivo da Abitrigo, qualquer instabilidade no mercado global pode afetar diretamente os preços e a disponibilidade do cereal, complicando o planejamento das indústrias de moagem.

Além disso, o cenário geopolítico atual, marcado por conflitos entre Rússia e Ucrânia, impacta os custos de energia, fretes e logística internacional, encarecendo a importação do trigo e, consequentemente, os produtos derivados. Essa pressão pode ser repassada ao consumidor final, resultando em preços mais altos para a farinha e outros alimentos.

Desvalorização do farelo de trigo e suas consequências

Outro aspecto preocupante é a desvalorização do farelo de trigo, que tem visto uma queda nas cotações do milho. Essa situação diminui a competitividade do farelo, utilizado na alimentação animal, e reduz uma importante fonte de receita para as indústrias moageiras. Com a diminuição do retorno financeiro, a pressão sobre os custos da moagem e o preço final da farinha se intensifica, afetando toda a cadeia de panificação.

O trigo é um alimento estratégico, representando cerca de 20% das calorias e proteínas consumidas globalmente, segundo a FAO. No Brasil, ele é essencial para a produção de diversos produtos alimentícios. Portanto, as flutuações na oferta e nos custos do trigo têm um impacto direto sobre a segurança alimentar da população.

Monitoramento e perspectivas para o mercado

Apesar do cenário desafiador, a Abitrigo garante que não há risco de desabastecimento no mercado brasileiro. A entidade destaca que o setor está preparado com planejamento de compras e gestão de riscos para garantir o fornecimento regular de trigo. No entanto, a combinação de menor produção nacional, aumento da dependência das importações e custos internacionais elevados exige um monitoramento constante.

Os próximos meses serão cruciais para avaliar o impacto da safra de 2026 nos preços e no abastecimento interno. Se as condições climáticas continuarem a afetar a produtividade, o Brasil poderá se tornar ainda mais dependente do trigo importado, em um contexto global marcado por alta volatilidade nos custos logísticos e nas commodities agrícolas. A indústria permanece atenta às evoluções do mercado, buscando minimizar os impactos e assegurar a regularidade no abastecimento.

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