Previa: A nova mistura de gasolina com 32% de etanol, que entrou em vigor no Brasil, pode impactar significativamente o desempenho e a durabilidade de diversos componentes dos veículos, especialmente os mais antigos.
A partir do dia 1º de agosto de 2026, a gasolina comum vendida no Brasil passou a conter 32% de etanol, uma mudança que gerou preocupações entre motoristas e mecânicos. Especialistas alertam que essa nova composição pode afetar principalmente os carros mais antigos, mas os modelos mais novos também não estão imunes a problemas.
Um dos principais efeitos dessa alteração é o aumento no consumo de combustível. De acordo com Alexandre Dias, mecânico e proprietário de uma oficina, o consumo pode aumentar em até 5%, o que pode impactar diretamente o bolso dos motoristas. Além disso, a autonomia dos veículos movidos exclusivamente a gasolina pode ser reduzida.
Por que o etanol afeta o motor
O etanol e a gasolina possuem diferentes taxas de compressão, o que pode gerar problemas em motores que não foram projetados para essa nova mistura. Carros que utilizam apenas gasolina têm uma compressão que não permite a queima eficiente do etanol, resultando em falhas e perda de potência, especialmente em partidas a frio.
As peças mais afetadas
- Carburador: Este componente, presente apenas em veículos mais antigos, é o que mais preocupa os mecânicos. Ele não se adapta à nova mistura de combustível, o que pode levar a problemas de desempenho e corrosão.
- Tanque de combustível: Carros antigos com tanques metálicos podem precisar de substituição, enquanto os tanques de plástico, comuns em veículos mais novos, apresentam menos riscos.
- Bomba de combustível: A presença de água no etanol pode acelerar a corrosão da bomba, especialmente em veículos que ficam parados por longos períodos.
- Bicos injetores: Veículos sem turbocompressor são os mais afetados, pois a central de injeção pode aumentar o tempo de injeção, revelando problemas em bicos já sujos.
- Velas de ignição: O desgaste das velas pode contribuir para falhas na queima do combustível, especialmente com a nova mistura.
- Catalisador: A vida útil do catalisador pode ser comprometida devido à queima ineficiente do combustível.
- Mangueiras e itens de vedação: Em carros mais antigos, esses componentes podem ressecar e se desgastar mais rapidamente.
Há solução?
Para veículos sem carburador, a atualização do módulo de injeção eletrônica pode ajudar a adaptar o motor à nova proporção de etanol. Além disso, uma manutenção cuidadosa dos componentes afetados pode prolongar a durabilidade do veículo.
Nos modelos mais antigos, adaptar o carburador é uma opção, mas o processo é complexo e requer ajustes e testes para garantir um bom funcionamento com a nova mistura de combustível.











