Previa: O mercado de milho no Brasil enfrenta desafios com o atraso na colheita da segunda safra, enquanto os preços futuros superam R$ 70 na B3, impulsionados pela demanda externa e pela volatilidade nas bolsas internacionais.
Atualmente, o setor de milho no Brasil está sob forte influência de fatores que afetam tanto a oferta quanto a demanda. Os contratos futuros têm demonstrado volatilidade, refletindo as condições do mercado interno e externo. O atraso na colheita da safrinha, combinado com a expectativa de embarques elevados e as oscilações na Bolsa de Chicago, tem mantido os preços em patamares elevados, apesar de algumas correções pontuais.
Na B3, os contratos futuros de milho chegaram a operar acima de R$ 70 por saca. O contrato com vencimento em setembro de 2026 fechou a R$ 70,29, com uma valorização diária de R$ 1,08. Para novembro, o fechamento foi de R$ 75,36, enquanto janeiro de 2027 terminou a R$ 77,82, um avanço de R$ 1,52.
Colheita da safrinha e suas implicações
Um dos principais fatores que sustentam os preços do milho é o ritmo mais lento da colheita da segunda safra. Dados da Conab indicam que apenas 58,3% da área cultivada foi colhida até agora, um percentual inferior aos 66,1% registrados no mesmo período do ano passado.
No Paraná, a colheita alcançou 29% da área, beneficiada pela diminuição das chuvas, mas ainda abaixo do ritmo histórico. Em Mato Grosso do Sul, o avanço foi de 20%, comparado a 37% no mesmo momento da safra anterior, o que limita a pressão sobre os preços em regiões produtoras.
Expectativas de exportação e demanda
Além do atraso na colheita, o mercado está atento ao cenário das exportações brasileiras. A Anec projetou embarques de cerca de 3,3 milhões de toneladas de milho para julho, um aumento de 36% em relação ao mesmo mês de 2025. Essa expectativa de maior participação no comércio internacional ajuda a dar suporte às cotações internas.
No mercado físico, as negociações estão mais cautelosas, com preços variando significativamente entre as regiões. No Rio Grande do Sul, as referências oscilaram entre R$ 57,00 e R$ 65,00 por saca, enquanto em Santa Catarina, os vendedores mantiveram ofertas próximas de R$ 60,00.
Movimentações no mercado internacional
Os contratos futuros de milho na Bolsa de Chicago também têm mostrado oscilações, influenciados pelas condições climáticas das lavouras nos Estados Unidos. Após perdas em pregões anteriores, o milho voltou a avançar, sustentado por uma recuperação técnica e pela desvalorização do dólar.
Recentemente, o USDA informou que 63% das lavouras de milho nos EUA estavam em condições boas ou excelentes, uma leve queda em relação à semana anterior. Essa deterioração nas condições das plantações norte-americanas tem contribuído para a sustentação das cotações internacionais.
Perspectivas para o futuro do milho brasileiro
O mercado de milho brasileiro está em um momento de tensão, dividido entre fatores que podem impulsionar ou pressionar os preços. O atraso na colheita e a expectativa de exportações robustas oferecem suporte, enquanto o aumento da oferta e as oscilações climáticas nos EUA continuam a influenciar as cotações.
Para produtores e compradores, o comportamento das bolsas internacionais e o ritmo da colheita devem ser monitorados de perto, pois esses fatores serão cruciais para determinar os próximos passos no mercado de milho.











