Previa: O mercado de café no Brasil está em alta, impulsionado pela valorização dos contratos futuros na Bolsa de Nova York. Produtores estão aproveitando o momento para ampliar suas vendas, enquanto o cenário internacional apresenta desafios e oportunidades.
Na manhã desta terça-feira, 28 de julho de 2026, o mercado brasileiro de café se mostra otimista com um aumento nas negociações. A valorização dos contratos futuros do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) tem sido um dos principais motores desse movimento. A alta internacional, combinada com a estabilidade do dólar e a expectativa de uma oferta mais restrita, cria um ambiente propício para que os produtores aproveitem os preços elevados.
O contrato de setembro de 2026 do café arábica apresentou uma valorização superior a 5% na ICE, refletindo uma tendência positiva que começou na sessão anterior. Com isso, as cotações domésticas também se beneficiaram, incentivando novos negócios.
Fatores que sustentam o mercado internacional
A recuperação técnica dos contratos futuros em Nova York, após perdas na semana anterior, é um dos principais fatores que sustentam o mercado. Investidores têm promovido cobertura de posições vendidas, o que elevou significativamente as cotações. O contrato de setembro/2026 opera próximo a 341,70 centavos de dólar por libra-peso, um aumento considerável em relação ao fechamento anterior.
Além da correção técnica, outros fatores estruturais também influenciam o mercado internacional. Entre eles estão os atrasos na colheita da safra brasileira devido a chuvas, a umidade excessiva que afeta a qualidade do café arábica e as preocupações com os impactos do fenômeno El Niño nas safras globais. A redução contínua dos estoques certificados de café na Bolsa de Nova York também mantém os investidores atentos.
Mercado físico brasileiro reage à valorização
O mercado interno acompanhou a alta das bolsas internacionais e do câmbio na segunda-feira. Apesar da valorização, as negociações foram limitadas a necessidades imediatas, com alguns compradores evitando repassar integralmente os ganhos. Com a nova alta na ICE, espera-se um aumento na comercialização, especialmente entre os produtores que aguardavam um momento mais favorável para negociar.
As principais referências de preços no mercado físico incluem: no Sul de Minas Gerais, o café arábica bebida boa, safra nova, varia entre R$ 1.750,00 e R$ 1.760,00 por saca; no Cerrado Mineiro, o arábica bebida dura está entre R$ 1.770,00 e R$ 1.780,00; e na Zona da Mata (MG), o café arábica tipo Rio 7 alcançou R$ 1.350,00 a R$ 1.355,00 por saca.
Exportações e cenário cambial
Apesar da recuperação dos preços internacionais, as exportações brasileiras de café apresentaram um desempenho inferior ao do ano passado. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, nos primeiros 18 dias úteis de julho de 2026, o Brasil exportou 2.037.433 sacas de 60 quilos, com uma receita cambial de US$ 649,889 milhões.
O mercado cambial, por sua vez, opera com pouca oscilação. O dólar comercial está cotado em torno de R$ 5,12, o que limita o impacto adicional sobre os preços internos. O Dollar Index também permanece estável, refletindo a cautela dos investidores diante do cenário macroeconômico global.
Perspectivas futuras para o mercado de café
Os agentes do mercado estão atentos à colheita brasileira, às condições climáticas e ao comportamento dos estoques certificados da ICE. Se os atrasos na colheita e os problemas de qualidade persistirem, o viés de alta para os preços pode se manter nas próximas semanas.
A combinação de cotações internacionais elevadas e um mercado físico mais aquecido deve favorecer um aumento nas negociações, especialmente entre os produtores que buscam melhores oportunidades de comercialização. O cenário atual é promissor, mas requer atenção às variáveis que podem impactar a produção e a oferta global de café.











