Previa: Um estudo da Universidade Federal de Goiás destaca variações significativas na eficácia de bioinseticidas à base de baculovírus, alertando para a necessidade de um controle de qualidade mais rigoroso no setor agrícola.
O uso de bioinseticidas tem crescido no Brasil, especialmente no manejo de pragas como a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda). No entanto, um novo estudo realizado pelo Laboratório de Manejo Integrado de Pragas da Universidade Federal de Goiás (UFG) revela que a qualidade desses produtos pode variar drasticamente, afetando sua eficácia. Os resultados indicam que a mortalidade das lagartas variou de 5% a 87% entre diferentes formulações avaliadas.
A coordenadora da pesquisa, professora Karina Cordeiro Albernaz Godinho, expressou surpresa com a magnitude das diferenças encontradas. Os bioinseticidas foram adquiridos em revendas agrícolas, refletindo as condições reais enfrentadas pelos produtores. Isso levanta questões sobre a confiabilidade dos produtos disponíveis no mercado e a necessidade de um controle de qualidade mais rigoroso.
Importância do Controle de Qualidade
O estudo enfatiza que a eficácia dos baculovírus não depende apenas do princípio ativo, mas também da qualidade da formulação e dos processos de fabricação. Karina Albernaz ressalta que poucos produtos conseguem manter um alto nível de eficiência, o que pode prejudicar a confiança dos agricultores em um momento de crescente adoção de biodefensivos no Brasil.
Para garantir a segurança e a eficácia dos bioinseticidas, a pesquisadora sugere que cada lote de produtos biológicos passe por testes rigorosos antes da comercialização. Isso poderia aumentar a confiança dos produtores e melhorar a imagem do mercado de bioinsumos.
Os ensaios laboratoriais foram realizados com 120 lagartas sob condições controladas, onde cada produto foi aplicado em doses padronizadas. Um dos produtos testados se destacou pela rapidez de ação, alcançando 50% de mortalidade no quarto dia após a aplicação, um desempenho notável para um bioinseticida.
Crescimento do Mercado de Biodefensivos
O estudo surge em um contexto de forte expansão do mercado de biodefensivos no Brasil, que movimentou R$ 4,35 bilhões na safra 2024/25, com um crescimento de 18% em relação ao ciclo anterior. Essa expansão é impulsionada pela busca por tecnologias sustentáveis e pela necessidade de reduzir o impacto ambiental na agricultura.
Além disso, a AgBiTech Brasil, responsável pelo bioinseticida Cartugen® Max, destacou que o produto apresentou uma mortalidade média de 85% das lagartas em áreas comerciais, reforçando a importância da qualidade na eficácia do controle biológico.
Com a crescente demanda por produtos biológicos, especialistas apontam que o futuro do mercado dependerá não apenas da ampliação da oferta, mas também da padronização da qualidade. Protocolos mais rigorosos de fabricação e controle são essenciais para aumentar a confiança dos produtores e consolidar o uso de bioinsumos como uma estratégia eficaz para uma agricultura mais produtiva e sustentável.











