Previa: Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, oficializou sua candidatura a deputado federal por Minas Gerais, buscando um retorno ao Congresso após quase uma década fora da política. Sua candidatura ocorre em meio a investigações da Polícia Federal sobre possíveis irregularidades.
O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, anunciou neste sábado (25/7) sua candidatura a deputado federal por Minas Gerais durante a convenção estadual do Republicanos. Cassado em 2016, ele tenta retornar ao Congresso Nacional após quase dez anos fora de mandatos eletivos, escolhendo um estado onde nunca exerceu cargo político.
Escolha por Minas Gerais
Em entrevista ao Estado de Minas, Cunha explicou sua decisão de disputar por Minas, ressaltando a importância do estado nas eleições nacionais. “Minas Gerais é o estado mais importante do Brasil. É o estado que define as eleições presidenciais”, afirmou. Ele destacou a complexidade e as diferenças regionais do estado, considerando-o uma representação da mediana do Brasil.
O ex-parlamentar expressou otimismo em relação à recepção que tem recebido dos mineiros. “É uma expectativa muito positiva. A gente tem andado, a gente tem sido bem acolhido. E a minha expectativa é positiva. Mas o resultado somente a urna vai dizer”, declarou.
Investigação em andamento
A candidatura de Cunha ocorre em um momento delicado, já que ele está sob investigação pela Polícia Federal. As apurações envolvem suspeitas de direcionamento de emendas parlamentares para municípios mineiros, mesmo sem mandato. O ministro Flávio Dino, do STF, determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões atribuídos ao ex-deputado e suspendeu a execução das emendas sob investigação.
De acordo com a decisão judicial, há indícios de que Cunha teria participado de um “arranjo decisório paralelo” para definir recursos destinados a cidades de Minas Gerais. O ministro também solicitou que a Câmara dos Deputados apresente documentos relacionados às emendas investigadas. A defesa do ex-deputado nega qualquer irregularidade.
Trajetória política de Eduardo Cunha
Eduardo Cunha iniciou sua carreira política ao ser eleito deputado federal em 2002, tornando-se um dos principais articuladores da Câmara ao longo de suas reeleições. Ele ganhou destaque ao ocupar comissões estratégicas e, em 2013, assumiu a liderança do PMDB, tornando-se uma figura central no “blocão”, que pressionava o governo Dilma Rousseff.
Em fevereiro de 2015, Cunha foi eleito presidente da Câmara, derrotando o candidato apoiado pelo governo. Durante sua gestão, ampliou sua influência sobre a pauta legislativa, promovendo projetos de impacto fiscal em um cenário de crise política e econômica. Seu papel foi crucial no processo de impeachment de Dilma Rousseff, aceitando o pedido que deu início ao processo em dezembro de 2015.
Contudo, sua ascensão foi interrompida em 2016, quando o STF determinou seu afastamento por suspeitas de obstrução de investigações. Em setembro do mesmo ano, a Câmara cassou seu mandato, e Cunha foi preso na Operação Lava Jato, sendo posteriormente condenado por corrupção e lavagem de dinheiro.











