Previa: A 11ª Marcha das Mulheres Negras em São Paulo homenageou Luana Barbosa, cuja morte brutal completa dez anos sem justiça. O evento, realizado na Praça Roosevelt, destacou a luta por direitos e reparação para a população negra.
Neste sábado, 25 de julho de 2026, a Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, foi palco da 11ª Marcha das Mulheres Negras. O evento, que reuniu centenas de participantes, lembrou a memória de Luana Barbosa, uma mulher lésbica, negra e periférica, brutalmente assassinada há dez anos. Até o momento, nenhum dos envolvidos no crime foi preso ou condenado.
A marcha atraiu pessoas de diversas partes da cidade e de municípios vizinhos, incluindo lideranças políticas, feministas, religiosas, artistas e representantes de movimentos da comunidade negra. Juliana Gonçalves, cofundadora do evento, ressaltou a continuidade da violência contra mulheres negras, citando casos recentes como o de Ieda e Fabiana, que também foram vítimas de homicídios em São Paulo.
Reivindicações e Lutas
Durante a manifestação, Gonçalves enfatizou que a população negra enfrenta uma grave negligência por parte do Estado. “A gente toma as ruas por direitos, reparação e bem viver, porque o Estado brasileiro nos deve. As mulheres negras sustentam a economia e realizam trabalhos de cuidado que não são reconhecidos, apesar de serem as que menos ganham”, afirmou.
A abertura do evento contou com uma apresentação do coletivo Bando das Macuas, que trouxe uma performance inspirada na ancestralidade. Francine Moura, uma das integrantes, explicou que a apresentação reverenciou as mulheres unidas em marcha, conectando a cultura africana ao contexto atual.
O palco montado na praça também recebeu DJs que tocaram rap e hip hop, com letras que abordavam temas de protesto e resistência. A presença de mulheres negras ligadas a religiões de matriz africana foi marcante, destacando a importância da diversidade cultural na luta por direitos.
Ìyalóde Marisa de Oya, uma das participantes, criticou a falta de segurança e representação para a população negra no Brasil. “Esse é um país que ajudamos a construir, mas ainda vemos pessoas sofrendo violência e sem um lugar de fala no governo”, destacou, ressaltando a necessidade de um olhar mais atento às questões de raça e religião.
A Marcha das Mulheres Negras não se limitou a São Paulo. Outras cidades brasileiras também realizaram eventos semelhantes, como uma caminhada em Salvador (BA) e uma reunião no Recife (PE), evidenciando a mobilização nacional em prol dos direitos das mulheres negras.











