Previa: Um novo episódio de El Niño pode trazer chuvas acima da média para o Sul do Brasil, beneficiando a produtividade de soja e milho. A análise do Santander destaca que, embora o fenômeno traga volatilidade, ele também pode criar oportunidades para os produtores da região.
A formação de um novo episódio de El Niño nos próximos meses pode ser um fator positivo para a agricultura no Sul do Brasil. Segundo uma análise do Santander, esse fenômeno climático tende a favorecer a produtividade das culturas de soja e milho, apesar de aumentar a volatilidade nos mercados agrícolas e pressionar alguns preços de alimentos.
O estudo indica que o El Niño pode alcançar uma intensidade forte a muito forte, resultando em chuvas acima da média histórica durante o desenvolvimento das culturas de verão. Essa condição é considerada crucial para o crescimento saudável das lavouras.
Impactos históricos do El Niño na agricultura
O levantamento do Santander analisou dados de produtividade agrícola desde 1962, cruzando-os com o Índice Oceânico Niño (ONI). Os resultados mostram que, historicamente, o fenômeno aumenta a ocorrência de chuvas no Sul do Brasil durante o ciclo de verão, que é decisivo para o desenvolvimento das lavouras de soja e milho.
Durante episódios anteriores de El Niño, como o da safra 2015/16, as produtividades dessas culturas frequentemente superaram a tendência histórica regional. Isso sugere que, em anos de El Niño, os agricultores do Sul podem esperar colheitas mais robustas.
Desafios para outras regiões
Embora o Sul possa se beneficiar, o fenômeno climático pode ter efeitos adversos em outras partes do Brasil. O Santander alerta que, enquanto o Sul deve receber mais chuvas, o Centro-Oeste pode enfrentar um cenário mais seco, aumentando os riscos para importantes polos de produção de grãos.
Adriano Valladão, economista do Santander, destaca que o principal efeito do El Niño é a ampliação da variabilidade climática. Isso significa que, enquanto alguns produtores podem prosperar, outros podem enfrentar dificuldades significativas.
Influência na inflação de alimentos
Além dos impactos na produção agrícola, o estudo também examina como o El Niño pode afetar a inflação no Brasil. Os alimentos in natura, como frutas, verduras e legumes, são os mais sensíveis às variações climáticas de curto prazo.
Projeções indicam que a inflação dos alimentos consumidos em domicílios pode atingir seu pico em fevereiro de 2027, cerca de 5 pontos percentuais acima do nível observado em agosto de 2026. Esse aumento pode impactar diretamente o IPCA, com uma reversão gradual prevista para 2027 e 2028.
Monitoramento e planejamento estratégico
O Santander ressalta que parte dos possíveis impactos do El Niño já está refletida nas projeções econômicas, o que ajuda a reduzir incertezas sobre o cenário climático. Os produtores devem ficar atentos à intensidade e à duração do fenômeno, que são fatores cruciais para o planejamento agrícola.
Para os agricultores do Sul, a expectativa é de que o cenário climático possa melhorar o potencial produtivo das lavouras, desde que as chuvas se mantenham dentro do padrão esperado. Valladão enfatiza a importância do monitoramento contínuo das condições climáticas ao longo do ciclo agrícola.
Com a possibilidade de um El Niño forte, o clima volta a ser um elemento central nas decisões estratégicas do agronegócio brasileiro. Enquanto o Sul pode ter uma janela de oportunidades, outras regiões precisarão estar atentas aos riscos associados à irregularidade das chuvas.











