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Café se recupera após tombo, mas safra recorde do USDA pressiona preços

O mercado internacional de café apresenta oscilações significativas, com a recuperação das cotações após um dia de forte volatilidade. A pressão sobre os preços é impulsionada por uma safra recorde...

Café se recupera após tombo, mas safra recorde do USDA pressiona preços

Previa: O mercado internacional de café apresenta oscilações significativas, com a recuperação das cotações após um dia de forte volatilidade. A pressão sobre os preços é impulsionada por uma safra recorde prevista pelo USDA, especialmente no Brasil.

O cenário do café no mercado internacional se mostra instável, com os preços oscilando após a divulgação de novas estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Nesta sexta-feira, 24 de julho, os contratos futuros de café arábica e robusta registraram alta, recuperando parte das perdas do dia anterior, mas a incerteza permanece no ar.

Os investidores estão atentos ao avanço da colheita brasileira e às condições climáticas nas principais regiões produtoras. A combinação desses fatores, junto com a evolução dos estoques certificados, continua a influenciar as expectativas de oferta global e, consequentemente, os preços.

Expectativas de produção e consumo

O relatório semestral do USDA trouxe previsões que ampliam a pressão sobre os preços do café. A safra mundial para 2026/27 deve alcançar 189,67 milhões de sacas de 60 quilos, um aumento de 6,1% em relação à temporada anterior. O Brasil, principal produtor, deverá contribuir com 71,9 milhões de sacas, um crescimento de 14% em relação à safra anterior.

O aumento na produção é acompanhado por uma expectativa de crescimento no consumo mundial, que deve chegar a 179,74 milhões de sacas, impulsionado principalmente pela demanda da União Europeia e dos Estados Unidos. No entanto, a produção superando o consumo resultará em um superávit global de cerca de 9,9 milhões de sacas.

Volatilidade nas bolsas internacionais

Na quinta-feira, 23 de julho, o mercado sentiu o impacto do relatório do USDA, levando a uma forte liquidação nas bolsas internacionais. O contrato de setembro do café arábica, por exemplo, oscilou 1.305 pontos, encerrando o dia com uma queda significativa. O robusta também apresentou volatilidade, refletindo a incerteza do mercado.

A valorização do dólar frente ao real tem adicionado pressão às cotações internacionais, complicando ainda mais o cenário para os produtores e investidores. Apesar da recuperação observada nesta sexta-feira, o ambiente de alta volatilidade continua a desafiar a formação de preços.

Estoques e mercado físico

Os estoques certificados de café arábica na ICE Futures US permanecem em níveis baixos, com apenas 320.615 sacas disponíveis. Essa quantidade é significativamente inferior ao volume do ano passado, quando os estoques ultrapassavam 806 mil sacas. Essa situação limita quedas mais acentuadas nos preços, oferecendo uma sustentação estrutural ao mercado.

No Brasil, o mercado físico enfrenta um ritmo de comercialização lento. Embora haja interesse comprador, a volatilidade das bolsas dificulta a formação de preços e a concretização de novos negócios. Os produtores estão adotando uma postura cautelosa, vendendo apenas o necessário para atender compromissos financeiros imediatos.

Condições climáticas e colheita

As condições climáticas estão sendo monitoradas de perto, especialmente com a chegada de uma frente fria que pode causar chuvas em algumas regiões de São Paulo. Essas chuvas podem interromper temporariamente a colheita, mas não há previsão de geadas que possam danificar os cafezais.

Para a próxima semana, a expectativa é de tempo seco nas principais regiões cafeeiras, o que deve favorecer o avanço da colheita. No entanto, a instabilidade climática pode trazer desafios pontuais, especialmente no Espírito Santo, onde são esperadas chuvas mais intensas.

Com a expectativa de uma safra recorde e a colheita em andamento, o mercado do café deve continuar sensível a novos indicadores. A evolução da colheita, as revisões nas estimativas de produção e as condições climáticas serão fatores cruciais para determinar a direção das cotações nos próximos dias.

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