Previa: A nova cultivar de batata-doce IAC Dom Pedro II, desenvolvida pelo Instituto Agronômico de São Paulo, promete revolucionar a produção rural com alta produtividade e valor nutricional elevado, atraindo a atenção de produtores e mercados internacionais.
A pesquisa agropecuária no Brasil ganha um novo impulso com o lançamento da cultivar IAC Dom Pedro II, desenvolvida pelo Instituto Agronômico de São Paulo (IAC). Essa inovação, promovida pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), não apenas aumenta a produtividade, mas também traz um diferencial nutricional significativo, essencial para a saúde pública.
O produtor Luiz Rocha, de Presidente Prudente (SP), é um exemplo do impacto positivo que a pesquisa pública pode ter na agricultura. Após adotar as tecnologias desenvolvidas pela APTA, ele conseguiu dobrar sua produtividade, passando de 600 caixas por hectare para impressionantes 1.200 caixas em algumas áreas de sua propriedade.
Transformação na produção de batata-doce
A trajetória de Rocha começou em 1986, quando ele decidiu diversificar sua produção após dificuldades com o cultivo de tomate. Hoje, sua propriedade se estende por 160 hectares, com uma produção anual de cerca de 160 mil caixas, que abastece tanto o mercado nacional quanto o internacional, incluindo exportações para o Canadá e países da Europa.
A introdução de mudas livres de vírus pela APTA foi um divisor de águas. A pesquisadora Sônia Marangoni liderou esse projeto, que resultou em um aumento significativo na qualidade e na quantidade da produção. Para Rocha, a pesquisa é fundamental para a evolução do agro, especialmente em um cenário de desafios crescentes.
Benefícios nutricionais e competitividade no mercado
A nova cultivar IAC Dom Pedro II não se destaca apenas pela produtividade, mas também pelo seu alto valor nutricional. Biofortificada com betacaroteno, essa variedade apresenta níveis até 64 vezes superiores aos das cultivares de polpa branca mais comuns no Brasil. O betacaroteno é essencial para a saúde, contribuindo para a visão, a pele e o sistema imunológico.
Os resultados dos estudos mostram que o consumo de apenas 30 a 60 gramas dessa batata-doce pode atender às necessidades diárias de betacaroteno de um adulto. Essa característica torna a cultivar não apenas uma opção lucrativa para os produtores, mas também uma aliada na luta contra a fome oculta, que afeta milhões de brasileiros.
Desafios e perspectivas futuras
Apesar do sucesso no campo, Rocha aponta que o principal desafio é aumentar a conscientização dos consumidores sobre os benefícios da nova cultivar. Embora a qualidade do produto seja reconhecida, a batata-doce biofortificada ainda é pouco conhecida pelo público em geral.
Para ele, a divulgação é crucial para que mais pessoas possam experimentar e aprovar o produto. A experiência de Rocha ilustra como a pesquisa e a inovação podem transformar a agricultura, aumentando a competitividade e contribuindo para a segurança alimentar no Brasil.
Com a IAC Dom Pedro II, a APTA e o IAC reafirmam a importância da ciência no agronegócio, promovendo uma agricultura mais sustentável e capaz de atender às demandas do mercado nacional e internacional. A trajetória de Luiz Rocha é um exemplo inspirador de como a pesquisa pode gerar resultados concretos e positivos para o setor agropecuário.











