Prévia: Indígenas de diversas regiões do Brasil se reúnem em Brasília para exigir a criação da Comissão Nacional da Verdade Indígena, com o intuito de investigar e reconhecer as violências sofridas por esses povos ao longo da história.
Na terça-feira (21), representantes de comunidades indígenas de todo o país se encontraram em Brasília, mobilizados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o Instituto de Políticas Relacionais (IPR) e o Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas da Universidade de Brasília (Obind/UnB). O principal objetivo do encontro é pressionar o governo federal pela criação da Comissão Nacional da Verdade Indígena (CNIV).
O governo já recebeu uma minuta de decreto presidencial para a criação da CNIV, que conta com o apoio de 58 instituições e pareceres jurídicos favoráveis. A expectativa é que a comissão possa investigar as violações de direitos humanos cometidas contra os povos indígenas, especialmente durante o período da ditadura militar.
Memórias de Violência e Justiça
Durante o evento, membros do “Fórum Memória, Verdade, Reparação Integral, Não Repetição e Justiça para os Povos Indígenas” e vítimas de violência histórica compartilharão relatos sobre os abusos enfrentados. Entre os casos a serem discutidos estão os centros de detenção ilegal que operavam em reservas sob a administração do antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e da Fundação Nacional do Índio (Funai).
A Apib denuncia que nesses centros ocorreram práticas de trabalho forçado e tortura física, especialmente contra os indígenas guarani. Esses relatos são fundamentais para a construção de uma narrativa que reconheça as atrocidades cometidas e busque reparação.
O encontro também será marcado pela apresentação de oito relatórios inéditos, que documentam a violência vivida pelos povos indígenas durante os anos de governo militar autoritário. Esses documentos são essenciais para a compreensão do impacto histórico das políticas de repressão sobre as comunidades indígenas.
Além disso, será lançado o livro Povos Indígenas e Justiça de Transição: Registros de Memórias que Denunciam Violências, que compila investigações e depoimentos de vítimas sobre crimes como tortura, genocídio e deslocamento forçado. A obra é considerada histórica pelas organizações, pois sintetiza sete anos de trabalho e traz na capa a imagem de um ancião indígena que sofreu tortura.
O encontro, que se estende até a próxima quinta-feira (23), na Casa de Retiro Assunção, em Brasília, representa um passo importante na luta por reconhecimento e justiça para os povos indígenas, ressaltando a necessidade de políticas públicas que garantam seus direitos e dignidade.











