Previa: A produção de uvas no Paraná alcançou R$ 389,7 milhões em 2025, destacando-se como a terceira fruta mais lucrativa do estado. O crescimento da agroindústria e a diversificação das variedades são fatores-chave para essa evolução.
A viticultura paranaense está passando por uma transformação significativa, impulsionada pela agroindustrialização. De acordo com o Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a produção de uvas gerou um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 389,7 milhões em 2025, consolidando a cultura como uma das mais rentáveis do estado.
Atualmente, o Paraná ocupa a quinta posição entre os maiores produtores de uva do Brasil, com uma previsão de colheita de 58 mil toneladas em aproximadamente 4 mil hectares em 2026. Esses números refletem a importância da viticultura na economia local e sua contribuição para o agronegócio nacional.
Transformação na produção e aumento da agroindústria
O levantamento do Deral revela uma mudança no perfil da produção. Embora as uvas de mesa ainda sejam predominantes em termos de valor econômico, a participação das variedades destinadas à fabricação de vinhos, sucos e outros produtos derivados está crescendo. Entre 2016 e 2025, a área cultivada com videiras no Paraná diminuiu 21%, mas a produção caiu apenas 6,3%, indicando um aumento na produtividade e especialização.
Nos últimos 20 anos, a participação das uvas de mesa na produção estadual caiu de 76,3% para 64,6%. Em contrapartida, as variedades voltadas para a agroindustrialização aumentaram de 23,7% para 35,4%, evidenciando uma tendência de valorização na cadeia produtiva.
Apesar do avanço da agroindústria, as uvas destinadas ao consumo in natura continuam a ser o principal motor econômico da viticultura paranaense. Em 2025, esse segmento gerou R$ 312,3 milhões, representando 80,1% do VBP total da cultura.
Marialva e Bituruna: referências na produção
O município de Marialva se destaca como a principal referência na produção de uvas finas de mesa no Paraná. Em 2025, Marialva cultivou 450 hectares, com uma produção de 13,5 mil toneladas e um VBP de R$ 129,6 milhões, concentrando 28,5% da área cultivada e 41,5% da produção do estado.
Por outro lado, Bituruna se destaca na produção de uvas para vinhos e sucos, com 100 hectares dedicados ao cultivo para processamento industrial. Em 2025, o município alcançou uma produção de 1,5 mil toneladas, movimentando R$ 6,5 milhões, o que representa 6,9% da área cultivada e 8,4% da produção destinada à indústria no Paraná.
Esses dados reforçam a importância econômica da viticultura em diversas regiões do estado, contribuindo para o fortalecimento da agroindústria local e a diversificação da produção rural.
Perspectivas futuras para a viticultura paranaense
O Brasil deve colher 2,2 milhões de toneladas de uvas em 2026, com o Rio Grande do Sul liderando a produção nacional. A expansão das uvas destinadas à agroindustrialização no Paraná demonstra uma mudança estrutural que acompanha a crescente demanda por produtos de maior valor agregado.
Com investimentos em tecnologia e qualidade, a expectativa é que a viticultura paranaense se torne cada vez mais competitiva, tanto no mercado interno quanto nas cadeias de processamento e industrialização. Essa evolução é fundamental para manter o Paraná entre os estados mais relevantes da viticultura brasileira.











