Previa: O manejo de doenças na soja brasileira está se adaptando a novos desafios fitossanitários, exigindo estratégias personalizadas e uma análise mais profunda das condições locais. Especialistas destacam a importância de um planejamento antecipado e integrado para garantir a produtividade nas lavouras.
A agricultura brasileira enfrenta um novo cenário no manejo de doenças da soja. Com a evolução das condições fitossanitárias, mudanças climáticas e a necessidade de maior eficiência econômica, os produtores estão sendo desafiados a revisar suas estratégias de controle. Essa adaptação é crucial para garantir a produtividade e a sustentabilidade das lavouras.
O Trend Group Fungicidas 2026, promovido pela ADAMA, destacou a importância desse tema, reunindo especialistas para discutir os desafios da próxima safra de soja e algodão. Durante o evento, ficou evidente que doenças antes consideradas secundárias, como cercospora e mancha-parda, estão ganhando destaque, ao lado de problemas históricos como a ferrugem asiática.
Doenças da soja ganham novo protagonismo no planejamento da safra
Essa mudança no perfil das doenças exige que os produtores reestruturem seus programas fitossanitários. A estratégia atual não se baseia apenas na identificação da doença predominante, mas também na análise de fatores como ambiente de produção, histórico da área e condições climáticas. Essa abordagem integrada é fundamental para um manejo eficaz.
Os especialistas, incluindo o pesquisador Marcelo Madalosso e consultores de diversas instituições, enfatizaram que as decisões nas lavouras estão cada vez mais conectadas a fatores agronômicos e econômicos. Além disso, o economista José Eustáquio Filho ressaltou a influência de aspectos macroeconômicos e geopolíticos no planejamento agrícola, afetando custos e disponibilidade de insumos.
Ferrugem asiática divide espaço com outras doenças foliares
O aumento da pressão de doenças, como a ferrugem asiática, e a diversidade de problemas fitossanitários tornam o manejo mais complexo. No Sul do Brasil, as condições de umidade e temperaturas elevadas favorecem o desenvolvimento de doenças foliares, aumentando o risco de perda de área fotossintética e antecipação da desfolha.
Outro desafio importante é a janela de aplicação. Condições climáticas adversas podem restringir o tempo disponível para o manejo, tornando o planejamento antecipado ainda mais essencial. Essa necessidade de adaptação é um reflexo das mudanças climáticas e da variabilidade do clima.
Cerrado exige programas de manejo mais robustos
No Cerrado, os desafios estão relacionados à pressão de doenças como mancha-alvo e septoriose. Em sistemas produtivos intensivos, onde as temperaturas são elevadas e as chuvas frequentes, é necessário implementar programas de manejo que protejam a cultura em diferentes fases de desenvolvimento.
A combinação de tecnologias fungicidas e estratégias preventivas é fundamental para aumentar a estabilidade do controle e reduzir riscos durante a safra. A personalização das estratégias de manejo se torna um diferencial competitivo para os produtores.
Algodão também demanda atenção para doenças
O algodão, assim como a soja, enfrenta desafios fitossanitários significativos. A ramulária, por exemplo, requer monitoramento constante e programas de manejo que acompanhem a evolução da doença ao longo do ciclo produtivo. A prevenção e o acompanhamento contínuo são cruciais para evitar impactos negativos na qualidade e no rendimento da produção.
Custos e mercado influenciam decisões dentro da lavoura
A tomada de decisão no manejo fitossanitário agora considera não apenas aspectos técnicos, mas também fatores econômicos. Oscilações cambiais, preços das commodities e custos de produção influenciam diretamente as escolhas dos produtores, que buscam soluções que minimizem riscos sem comprometer o potencial produtivo.
Nesse contexto, tecnologias que oferecem maior eficiência e estabilidade de controle estão se tornando cada vez mais valorizadas. A integração de conhecimento técnico e decisões baseadas nas particularidades de cada região é uma tendência que se fortalece.
Planejamento antecipado se torna diferencial no controle de doenças
Marcelo Gimenes, gerente de Fungicidas da ADAMA, destaca que o manejo moderno exige uma mudança de postura dos produtores. O foco deve ser na construção de estratégias desde o início da safra, considerando as doenças predominantes em cada região e os fatores que podem comprometer a eficiência do controle.
O desafio atual é desenvolver programas que acompanhem um ambiente agrícola em constante transformação. A tendência é que o manejo se torne cada vez mais integrado, combinando conhecimento técnico e tecnologias agrícolas para proteger o potencial produtivo das lavouras.











