Previa: O mercado de café se prepara para um terceiro trimestre mais favorável, com a expectativa de uma safra recorde no Brasil. No entanto, o fenômeno El Niño pode trazer incertezas e influenciar os preços da commodity.
O cenário do mercado internacional de café para o terceiro trimestre de 2026 apresenta perspectivas otimistas, impulsionadas pela safra recorde do Brasil e pela recuperação da produção em outros países exportadores. Apesar disso, especialistas alertam que o fenômeno El Niño pode impactar negativamente as cotações, caso afete o desenvolvimento da próxima safra.
Safra recorde do Brasil amplia oferta mundial de café
A safra brasileira de café 2026/27 deve alcançar 75,3 milhões de sacas, um aumento de 20,8% em relação ao ciclo anterior. Este crescimento posiciona o Brasil como um dos maiores produtores de café da história, com 50,2 milhões de sacas de café arábica e 25,1 milhões de sacas de café robusta (conilon).
Com essa produção robusta, a consultoria StoneX projeta um excedente global de cerca de 10 milhões de sacas, alterando o cenário de escassez que prevaleceu nos últimos anos. Essa mudança já se reflete nas bolsas internacionais, onde os preços dos contratos futuros começaram a cair.
Fatores que sustentam a volatilidade do mercado
Apesar da expectativa de uma produção ampla, a colheita brasileira enfrenta desafios, como condições climáticas adversas e a comercialização abaixo da média histórica. Além disso, a redução dos estoques certificados da ICE limita a disponibilidade imediata de café, contribuindo para a manutenção dos preços.
O Vietnã, principal produtor de café robusta, também deve aumentar sua produção, com estimativas de cerca de 32,5 milhões de sacas para a temporada 2026/27. Isso deve fortalecer ainda mais o abastecimento global, especialmente no segundo semestre.
Demanda mundial e o impacto do El Niño
A demanda global por café continua resiliente, mesmo com os preços elevados. O Vietnã, por exemplo, deve registrar um consumo interno recorde, impulsionado pelo crescimento econômico e a expansão do mercado de cafeterias. Essa demanda pode ajudar a absorver parte do aumento da oferta, mitigando o impacto sobre os preços.
Entretanto, o fenômeno El Niño permanece como um fator de risco significativo. Modelos climáticos indicam uma probabilidade superior a 80% de sua permanência no segundo semestre de 2026, o que pode afetar a produção nas principais regiões produtoras, incluindo o Brasil e o Sudeste Asiático.
Com a entrada da grande safra brasileira, o mercado de café deve passar por uma mudança importante. Embora a oferta aumente e os preços possam ser pressionados, a evolução do clima e os efeitos do El Niño serão determinantes para a volatilidade das cotações nos próximos meses.











