Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Floricultura brasileira avança em rastreabilidade, mas origem das flores ainda é desconhecida

O mercado de flores no Brasil, que movimentou R$ 23,3 bilhões em 2025, ainda enfrenta desafios em relação à rastreabilidade e à transparência sobre a origem das variedades.

Floricultura brasileira avança em rastreabilidade, mas origem das flores ainda é desconhecida

Previa: O mercado de flores no Brasil, que movimentou R$ 23,3 bilhões em 2025, ainda enfrenta desafios em relação à rastreabilidade e à transparência sobre a origem das variedades. A crescente valorização da procedência pode transformar o setor e beneficiar toda a cadeia produtiva.

O setor de floricultura no Brasil tem mostrado um crescimento significativo, com um faturamento de R$ 23,3 bilhões em 2025, conforme dados do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor). No entanto, a origem das flores comercializadas continua sendo um aspecto pouco conhecido pelo consumidor, ao contrário de outros segmentos do agronegócio, como café e vinhos, onde a procedência é um diferencial importante.

No varejo, a falta de informação sobre a origem das flores é evidente. Compradores em supermercados e floriculturas raramente têm acesso a dados sobre quem desenvolveu as variedades que consomem ou quais direitos de propriedade intelectual estão envolvidos na sua produção.

O papel dos breeders na floricultura

As empresas conhecidas como breeders são fundamentais para o desenvolvimento genético das flores. Elas investem anos em pesquisa para criar novas cultivares com características específicas, como coloração e resistência a pragas. Esses processos são predominantemente realizados em países como Holanda e Itália, onde a proteção da propriedade intelectual é rigorosamente regulamentada.

No Brasil, a Lei de Proteção de Cultivares (Lei nº 9.456/1997) regula a produção de variedades protegidas, exigindo que os produtores firmem contratos formais e paguem royalties. Essa estrutura é essencial para garantir a inovação e a pesquisa no setor.

De acordo com Paco van de Louw, diretor da Könst Alstroemeria, o desenvolvimento de novas variedades pode levar de 10 a 12 anos, com apenas uma pequena fração chegando ao mercado. O cumprimento do sistema de licenciamento é um desafio constante, e a fiscalização é necessária para evitar a produção ilegal.

Avanços na rastreabilidade e valorização da origem

Nos últimos anos, o setor tem avançado em termos de profissionalização e rastreabilidade. A Cooperflora, por exemplo, adota contratos formais de licenciamento e utiliza padrões internacionais de rastreabilidade, como o sistema GS1, que permite identificar a origem das flores até o ponto de venda.

Esse movimento é impulsionado pela mudança no comportamento do consumidor, que valoriza cada vez mais a procedência dos produtos. Especialistas afirmam que a origem das flores pode se tornar um diferencial de valor, assim como já ocorre em outros segmentos do agronegócio.

A evolução do modelo de flores licenciadas no Brasil é exemplificada pela alstroemeria, que teve sua produção formalizada por produtores como Pedro De Wit, da Cooperflora. A adaptação ao modelo de licenciamento permitiu a consolidação da produção nacional e o aumento da qualidade das flores.

Entretanto, a irregularidade no uso de cultivares protegidas continua a ser um problema. A produção sem contrato formal prejudica os breeders e distorce a concorrência, impactando toda a cadeia produtiva. A conscientização sobre a importância da legalidade e da rastreabilidade é crucial para o futuro do setor.

Com a crescente valorização da origem, a floricultura brasileira está em um ponto de inflexão. A rastreabilidade e o reconhecimento dos breeders podem se consolidar como fatores estratégicos, promovendo a valorização dos produtos e fortalecendo a cadeia formal. A origem das flores, portanto, começa a se tornar um componente essencial de valor no mercado.

0 votos: 0 positivos, 0 negativos (0 pontos)

Deixe uma resposta