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Mercado de trigo no Brasil enfrenta pressão enquanto clima preocupa produtores do Sul

O mercado de trigo no Brasil enfrenta um cenário desafiador, com preços em queda e preocupações climáticas que afetam a produção. Enquanto isso, a Bolsa de Chicago registra recuos, refletindo...

Mercado de trigo no Brasil enfrenta pressão enquanto clima preocupa produtores do Sul

Previa: O mercado de trigo no Brasil enfrenta um cenário desafiador, com preços em queda e preocupações climáticas que afetam a produção. Enquanto isso, a Bolsa de Chicago registra recuos, refletindo a expectativa de maior oferta global.

O cenário atual do mercado de trigo no Brasil é marcado por uma pressão significativa, com a demanda em baixa e negociações limitadas. Nesta quinta-feira, 9 de julho, os contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT) também abriram em leve queda, influenciados pelo avanço da colheita no Hemisfério Norte e a expectativa de aumento na oferta global.

No mercado interno, a combinação de consumo reduzido e custos elevados de produção mantém os produtores em alerta. As incertezas climáticas para a próxima safra também são um fator que contribui para a cautela entre compradores e vendedores.

Mercado de trigo no Sul opera em ritmo lento

De acordo com a TF Agroeconômica, as negociações nos principais estados produtores do Sul do Brasil seguem em ritmo lento. Os moinhos estão comprando apenas para atender necessidades imediatas, enquanto os produtores evitam vender devido aos preços considerados pouco atrativos.

No Rio Grande do Sul, o mercado apresenta uma leve baixa, com estimativas de apenas 12 mil toneladas negociadas na semana, um volume considerado reduzido para este período. Os preços do trigo pão, que estavam em torno de R$ 1.350 por tonelada em junho, caíram para uma faixa entre R$ 1.300 e R$ 1.330.

A baixa atividade da indústria moageira é o principal fator que pressiona o mercado. Contudo, no mercado de balcão, houve uma leve valorização, com a saca alcançando R$ 70,02 em Panambi.

Custos elevados preocupam para a safra 2026

Além da fragilidade nas negociações atuais, os produtores estão preocupados com a próxima temporada de cultivo. Os principais desafios incluem custos elevados de produção, preços futuros pouco remuneradores e a possibilidade de influência do fenômeno El Niño.

Cooperativas nas regiões Central e Noroeste do Rio Grande do Sul relatam que pode haver uma redução de até 40% na área destinada ao trigo, embora esses números ainda dependam de confirmação oficial. A Emater-RS estima uma produção de cerca de 2,2 milhões de toneladas na safra 2026, bem abaixo das 3,8 a 4 milhões de toneladas colhidas anteriormente.

Santa Catarina e Paraná mantêm mercado cauteloso

Em Santa Catarina, os vendedores permanecem cautelosos, aguardando melhores oportunidades de comercialização. Negócios envolvendo trigo gaúcho foram registrados, com preços próximos de R$ 1.350 por tonelada para o tipo 1 e R$ 1.240 para o tipo 2.

No Paraná, a valorização do real frente ao dólar aumentou a competitividade do trigo importado, favorecendo compras externas e reduzindo o interesse pelo produto nacional. Durante a semana, foram negociadas entre 8 mil e 10 mil toneladas, com preços em torno de R$ 1.450 por tonelada CIF moinho.

Bolsa de Chicago inicia quinta-feira em queda

No mercado internacional, os contratos futuros do trigo abriram em território negativo, após perdas significativas na sessão anterior. O contrato de julho/26 era negociado a US$ 6,02 por bushel, com uma queda de 7,25 pontos.

O mercado internacional continua atento ao avanço da colheita no Hemisfério Norte, que amplia as expectativas de oferta mundial, limitando a recuperação dos preços.

Clima segue no radar das lavouras brasileiras

Enquanto o mercado internacional observa o aumento da oferta global, os produtores brasileiros estão focados nas condições climáticas. Com a chegada do inverno, o risco de geadas se torna uma preocupação, especialmente para as lavouras que estão em fases sensíveis de desenvolvimento.

Eventos climáticos intensos nas próximas semanas podem impactar tanto o potencial produtivo quanto a qualidade dos grãos, influenciando diretamente os preços no mercado interno durante a safra 2026.

Perspectivas para o mercado

O mercado de trigo enfrenta um equilíbrio delicado entre oferta, demanda e fatores climáticos. A baixa demanda da indústria, a concorrência do trigo importado e a expectativa de ampla oferta mundial continuam limitando a recuperação dos preços.

Entretanto, problemas climáticos nas lavouras brasileiras ou mudanças nas condições internacionais podem alterar rapidamente o comportamento das cotações, mantendo todos os envolvidos atentos aos próximos movimentos do mercado.

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