Prévia: O avanço do greening nos pomares de laranja no Brasil representa uma ameaça significativa à produção citrícola. Especialistas alertam para a urgência de ações preventivas e manejo integrado para conter a disseminação da doença.
A citricultura brasileira enfrenta um dos maiores desafios de sua história com o avanço do greening (HLB), uma doença devastadora para a cultura dos citros. Transmitida pelo psilídeo (Diaphorina citri), essa enfermidade compromete o desenvolvimento das plantas, reduzindo drasticamente a produtividade e ameaçando a sustentabilidade dos pomares, especialmente em um momento de expectativa de menor produção de laranja no principal polo citrícola do país.
De acordo com especialistas, o combate ao greening requer um esforço conjunto que inclui monitoramento constante, controle do inseto vetor, erradicação de plantas contaminadas e adoção de práticas de manejo que fortaleçam o equilíbrio fisiológico e nutricional das árvores.
Greening já compromete quase metade do cinturão citrícola
Levantamentos da Embrapa e do Fundecitrus revelam que o greening já está presente em quase metade das plantas do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro, a maior região produtora de laranjas do mundo. Além da redução no rendimento das lavouras, a doença impacta diretamente a qualidade dos frutos, resultando em perdas econômicas significativas e tornando áreas jovens inviáveis para exploração comercial em poucos anos.
Bruno Neves, engenheiro agrônomo e gerente técnico da BRQ Brasilquímica, destaca que o psilídeo é o principal responsável pela rápida disseminação da doença entre os pomares. As bactérias se instalam nos vasos condutores da planta, dificultando o transporte de água e nutrientes, e ao se alimentar da seiva de árvores contaminadas, o inseto transmite o patógeno para plantas sadias, acelerando a propagação da enfermidade.
Safra menor aumenta preocupação dos produtores
O avanço do greening ocorre em um cenário de expectativa de redução da produção brasileira de laranja. Estimativas do Fundecitrus, analisadas pelo Cepea, indicam que a colheita no cinturão citrícola paulista e do Triângulo/Sudoeste Mineiro deverá totalizar aproximadamente 255,2 milhões de caixas na safra 2026/27, um volume cerca de 13% inferior ao registrado na temporada anterior.
Com a menor oferta prevista, a preservação da produtividade dos pomares torna-se ainda mais crucial para garantir o abastecimento da indústria de suco e do mercado de frutas frescas. O greening, sendo uma enfermidade sem tratamento curativo, exige ações imediatas e eficazes.
Doença não tem cura e exige ação imediata
Os principais sintomas do greening incluem o amarelecimento irregular das folhas, frutos deformados, sementes abortadas, redução do tamanho dos frutos, queda prematura e perda progressiva da capacidade produtiva das árvores. A recomendação técnica para plantas diagnosticadas com a doença é sua erradicação, evitando que se tornem fontes permanentes de contaminação para o restante do pomar.
Embora essa medida seja onerosa para o produtor, ela é considerada essencial para reduzir a disseminação do HLB e preservar áreas ainda sadias. A prevenção continua sendo a ferramenta mais eficiente para enfrentar o avanço da doença.
Manejo integrado é a principal estratégia contra o greening
Entre as principais práticas recomendadas para o manejo integrado estão o monitoramento frequente dos pomares, controle rigoroso do psilídeo, eliminação rápida de plantas contaminadas, utilização de mudas certificadas e fortalecimento nutricional e fisiológico das plantas. Preparar os pomares para suportar os desafios fitossanitários é fundamental para ampliar a longevidade das árvores e preservar seu potencial produtivo ao longo dos anos.
Dentro das estratégias de manejo, cresce o uso de tecnologias voltadas ao equilíbrio fisiológico e nutricional das plantas. Produtos que auxiliam no fortalecimento das defesas naturais dos citros, em conjunto com programas convencionais de controle do psilídeo, vêm sendo utilizados para aumentar a resistência das plantas aos estresses provocados por pragas e doenças.
Perspectivas para a citricultura brasileira
Com a combinação entre a previsão de safra menor e o avanço do greening, o setor citrícola brasileiro deverá intensificar os investimentos em monitoramento, tecnologia e manejo integrado nos próximos anos. A adoção de estratégias preventivas, aliada ao controle eficiente do inseto vetor e ao fortalecimento das plantas, é considerada fundamental para reduzir perdas e garantir a sustentabilidade da produção de laranjas diante de uma das maiores ameaças fitossanitárias da atividade.











