Prévia: A dependência do Brasil em relação a fertilizantes importados continua a ser uma vulnerabilidade significativa para o agronegócio, especialmente em um contexto de instabilidade geopolítica. A situação pressiona os custos de produção e afeta a competitividade do setor no mercado global.
A elevada dependência de fertilizantes importados é um dos principais desafios enfrentados pelo agronegócio brasileiro. Apesar do país se destacar no comércio global de alimentos, essa vulnerabilidade estrutural se torna ainda mais evidente em tempos de incertezas geopolíticas e flutuações nos preços internacionais de insumos.
Segundo Nivio Domingues, especialista da Samba Export Brazil, essa situação impacta diretamente o custo de produção e a formação de preços dos grãos. Em 2025, o Brasil alcançou um recorde de 49,11 milhões de toneladas de fertilizantes entregues ao mercado interno, conforme dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Contudo, 88,2% desse volume, ou 43,32 milhões de toneladas, foi importado.
Dependência por Nutrientes e Risco Geopolítico
A concentração de importações é alarmante, especialmente em relação a nutrientes essenciais: 97% do potássio, 95% do nitrogênio e 75% do fósforo utilizados no Brasil são provenientes do exterior. Até fevereiro de 2026, a Rússia era a principal fornecedora, respondendo por 22,1% das importações.
Essa dependência expõe cadeias produtivas estratégicas, como soja e milho, a decisões internacionais. A guerra na Ucrânia, iniciada em 2022, exemplificou esse risco, ao interromper o fornecimento de potássio da Rússia e Bielorrússia, afetando diretamente o plantio em regiões produtoras como Mato Grosso e Paraná.
Iniciativas para Reduzir a Dependência
Para enfrentar essa situação, entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a ANDA estão promovendo o Plano Nacional de Fertilizantes, que visa reduzir a dependência externa para cerca de 50% até 2050. Um dos principais desafios é a baixa produção nacional de nutrientes estratégicos.
Atualmente, a Petrobras é a única produtora de nitrogênio em escala industrial no país. Além disso, novos projetos de fertilizantes NPK necessitam de investimentos privados e segurança regulatória para avançar.
Impactos nos Preços e na Competitividade
Os custos dos fertilizantes já influenciam as negociações globais de grãos, afetando a competitividade do Brasil no mercado externo. A volatilidade desses insumos se reflete nos preços finais da soja, milho e açúcar, aumentando a exposição do produtor rural a fatores externos.
Especialistas afirmam que essa dependência gera um efeito cascata em toda a cadeia produtiva, impactando desde a decisão de plantio até a margem final do produtor. A situação exige atenção e estratégias eficazes para garantir a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.
Potencial Mineral Não Aproveitado
Analistas apontam que o Brasil ainda não explora plenamente seu potencial mineral estratégico. A reserva de potássio em Sergipe é frequentemente citada como uma das mais importantes do hemisfério ocidental. Domingues destaca que o país é uma potência agrícola que ainda não converteu sua maior reserva de potássio em produção relevante.
Avançar nessa agenda pode ter um impacto significativo na competitividade das exportações brasileiras nos próximos anos, tornando o agronegócio mais resiliente e menos vulnerável a choques externos.











