Previa: Novas regras da União Europeia sobre o uso de antimicrobianos na pecuária estão impulsionando a adoção de práticas mais sustentáveis e eficientes na produção animal, com foco na saúde intestinal dos rebanhos.
As recentes exigências da União Europeia em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal refletem uma tendência crescente no mercado global. Essas normas visam garantir que os países exportadores sigam os mesmos padrões sanitários exigidos dentro do bloco, especialmente no que diz respeito ao controle do uso de antimicrobianos ao longo do ciclo de criação dos animais.
A resistência antimicrobiana é uma preocupação crescente, considerada um dos principais desafios para a saúde pública e a segurança alimentar mundial. Nesse contexto, o interesse por tecnologias que promovam a saúde animal através da nutrição e do manejo adequado está em ascensão.
Saúde intestinal como prioridade na produção animal
João Ronchesel, zootecnista e especialista da Kemin, destaca que a discussão sobre o uso responsável de antimicrobianos agora faz parte da agenda internacional da pecuária. Historicamente, esses compostos foram fundamentais para a eficiência produtiva, mas a compreensão sobre a importância do trato gastrointestinal se expandiu.
O intestino, além do rúmen, é agora visto como um pilar essencial da saúde animal, influenciando diretamente a absorção de nutrientes e a resposta imunológica dos rebanhos. Uma microbiota intestinal equilibrada não apenas melhora a digestibilidade dos alimentos, mas também fortalece o sistema imunológico dos animais.
Inovações em nutrição e manejo
As tecnologias que estão sendo incorporadas aos sistemas de produção incluem probióticos de última geração, que ajudam a equilibrar a microbiota intestinal e a reduzir a presença de microrganismos prejudiciais. Um exemplo é a cepa específica de Bacillus subtilis, que atua no intestino inferior, produzindo compostos bioativos que inibem patógenos como o Clostridium perfringens.
Além dos probióticos, o uso de óleos essenciais e extratos vegetais com propriedades antimicrobianas está crescendo, complementando os programas nutricionais e reduzindo a dependência de antimicrobianos. Essas inovações visam criar condições que permitam aos animais aproveitar melhor os nutrientes e responder de forma mais eficaz a desafios sanitários.
Responsabilidade e sustentabilidade na produção
A Kemin enfatiza que a evolução da pecuária não implica na eliminação total dos antimicrobianos, mas sim em um uso mais criterioso e integrado a outras ferramentas de prevenção. A discussão atual se concentra em ampliar o conjunto de opções disponíveis para um manejo responsável.
O endurecimento das normas internacionais também reflete uma demanda crescente por produção mais sustentável e rastreável. Estratégias voltadas à saúde intestinal e ao fortalecimento da imunidade dos animais são cada vez mais relevantes para garantir a produtividade e a segurança alimentar.
Especialistas acreditam que a adoção dessas tecnologias posiciona a pecuária para atender às exigências dos mercados internacionais, equilibrando desempenho zootécnico, bem-estar animal e produção responsável, fatores que estão se tornando cada vez mais valorizados pelos consumidores e países importadores.











